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Cinco fatos que mostram a importância da privacidade de dados nos consultórios

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A crescente digitalização na saúde traz grandes benefícios, mas é preciso mitigar riscos no que diz respeito a proteção de dados clínicos.

Em março deste ano, uma denúncia grave abalou um dos hospitais mais prestigiados do Reino Unido. Uma equipe da London Clinic, responsável por atender a família real, tentou acessar o prontuário privado de Kate Middleton. Para ficar claro: profissionais que não estavam envolvidos no tratamento da princesa de Gales tentaram vazar informações sensíveis sobre a saúde da paciente integrante da realeza britânica. A investigação ainda continua, mas ilustra bem um dos maiores perigos do setor de saúde atualmente.

Chega a ser óbvio afirmar que a proteção dos dados médicos é um requisito obrigatório para todos os profissionais de saúde – prontuários eletrônicos nada mais são do que informações pessoais que os médicos só podem utilizar durante o tratamento. A questão é que a digitalização destes documentos e a possibilidade de cruzamento com outras fontes igualmente digitais aumentaram ainda mais os riscos referentes à segurança e armazenamento.  

Trabalhar com dados digitais será uma rotina cada vez mais comum no setor. Projeção da MarketsandMarkets indica que o mercado de analytics em saúde deve movimentar US$ 85,9 bilhões em todo o mundo até 2027 – este indicador era de US$ 27,4 bilhões em 2022, o que representa um crescimento médio anual de 25,7% no período. 

Porém, quanto maior o número de informações disponíveis nos canais digitais, maior também serão os riscos envolvidos. Qualquer descuido do médico ou enfermeiro em um login numa plataforma pode desencadear invasões que expõem dados sensíveis, como histórico de doenças, tratamentos, entre outros. Já imaginou se o prontuário de Kate Middleton vazasse para os tabloides sensacionalistas? Ia ser um escândalo que poderia abalar o Reino Unido inteiro.

Por conta disso, confira cinco fatos que justificam a importância redobrada da privacidade dos dados dentro de clínicas, consultórios e hospitais:

1 – Dados fazem parte da tomada de decisão médica

Até mesmo o médico mais reticente com a tecnologia sabe que, atualmente, a utilização dos dados digitais dos pacientes é imprescindível para fazer um bom diagnóstico. Confiar apenas na experiência adquirida e na conversa com a pessoa deixou de ser a única opção. Agora, é necessário cruzar tudo isso com diferentes fontes de informação para tomar decisões a respeito do tratamento. E quanto mais dados estiverem circulando, maiores os riscos de vazamento.

2 – Mais integrações entre as tecnologias no consultório

Para se chegar a este nível de tomada de decisão, é necessário contar com diversas soluções tecnológicas capazes de se comunicarem entre si. Elas garantem que a informação flua de uma fonte a outra rapidamente, trazendo mais eficiência. O problema é que cada ferramenta exige conectores e APIs para isso. Assim, cada conexão deste tipo pode se tornar uma “janela” para cibercriminosos explorarem.

3 – Maior exigência legal para boas práticas

Conforme a tecnologia avança, é natural que a sociedade discuta e proponha novas leis para garantir privacidade das informações e melhores condutas em sua utilização. Aqui no Brasil, por exemplo, tivemos o Marco Civil da Internet em 2014 e a Lei Geral de Proteção aos Dados Pessoais (LGPD), em vigor desde 2020. Médicos e organizações de saúde não estão imunes a estas leis e precisam se adequar às boas práticas e governança.

4 – Aumento de ataques cibernéticos em instituições de saúde

Apenas em 2024 acompanhamos relatos de hospitais no Rio de Janeiro, na Romênia e nos EUA sofrendo com ataques cibernéticos, afetando a operação das organizações e até colocando vidas em risco. O fato é que os dados digitais se tornaram ativos valiosos no atual cenário econômico – e instituições de saúde são lugares valiosos. Assim, o setor passou a ser alvo constante de criminosos dispostos a roubarem informações para os mais variados fins.

5 – Necessidade de reputação perante seus pacientes

Por fim, investir continuamente na proteção dos dados de seus pacientes é mais uma forma poderosa de relacionamento e marketing. Afinal, mostra o respeito que você dedica aos cuidados e bem-estar deles, seja em relação à qualidade de vida ou à privacidade. Os dados digitais devem ser encarados como uma extensão do indivíduo, tão importante quanto as consultas realizadas durante seu expediente.

Como proteger os dados dos pacientes e garantir mais privacidade?

Os dados digitais dos pacientes são fundamentais e há muitos perigos que os cercam dentro dos consultórios. A boa notícia é que, hoje, não faltam soluções dispostas a protegê-los e armazená-los com segurança. Há uma infinidade de opções que atendem desde o escritório mais simples até grandes centros hospitalares.

Porém, mais do que tecnologia, é necessário ter uma cultura voltada à proteção e privacidade dos dados. O médico precisa conhecer as boas práticas, priorizar sistemas que possuam a certificação de segurança da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) e, principalmente, como utilizar essas informações sem expor aos riscos. Tudo começa no prontuário eletrônico, que se tornou no hub do conteúdo em saúde, capaz de reunir as mais diferentes informações. Quando se tem uma ferramenta dessa em mãos, fica mais fácil saber onde estão os desafios e como se precaver a qualquer vazamento que porventura possa ameaçar seu trabalho.

* Tiago Delgado é sócio-fundador da Medicina Direta, empresa especializada em tecnologia na área de saúde.