Na gestão das instituições de saúde, a Inteligência Artificial pode ser aplicada desde o faturamento hospitalar até o suporte e na decisão clínica. Durante o Universo TOTVS 2026 (13 e 14 de outubro), Rogério Pires, diretor de produtos para saúde da TOTVS, apresentou ao Saúde Business novidades do portfólio da empresa voltadas a hospitais, clínicas, operadoras de saúde, autogestões, medicinas de grupo e Unimeds, com foco no aumento da eficiência operacional, na redução de fraudes e no controle de custos.
Entre as iniciativas estão agentes de IA para apoiar processos de faturamento, auditoria médica, agendamento e análise de elegibilidade de pacientes e solicitações de reembolso. Conforme Rogério, a expansão dessas tecnologias, no entanto, depende da superação de desafios como a fragmentação dos dados e a capacitação dos profissionais. Para o executivo, o avanço da transformação digital exige soluções especializadas, segurança das informações e aplicações capazes de resolver problemas concretos das instituições e gerar resultados. Acompanhe a entrevista e entenda a visão do especialista.
Quais são as principais novidades do portfólio de soluções da TOTVS para o setor de saúde e quais demandas do mercado têm orientado a evolução desses produtos?
Rogério Pires: Hoje, a TOTVS tem o maior portfólio do Brasil em soluções para a saúde, com inúmeros produtos. Temos basicamente três linhas, para hospitais e clínicas, operadoras de saúde, autogestões e medicinas de grupo e produtos para as Unimeds.
Temos investido muito em agentes de Inteligência Artificial para ajudar na operação dos nossos clientes nessas três frentes. No Universo TOTVS 2026, por exemplo, apresentamos, agentes de IA para apoiar o faturamento hospitalar, assistentes para auxiliar na tomada de decisão clínica e aplicações para operadoras de saúde, como a análise de elegibilidade de pacientes e de solicitações de reembolso. São soluções que buscam aumentar a eficiência operacional, reduzir fraudes e custos e melhorar os resultados das instituições.
Os hospitais, as clínicas, os laboratórios e as operadoras enfrentam desafios distintos, mas compartilham a necessidade de controlar custos e integrar informações. Como as soluções da TOTVS atendem a essas demandas e contribuem para melhorar a gestão das instituições?
Rogério Pires: Trabalhamos com diferentes linhas de produtos para atender várias necessidades na área da saúde. Dentro desse portfólio, estamos desenvolvendo agentes de IA voltados a rotinas específicas, como faturamento, auditoria médica, agendamento e reembolso.
No faturamento, por exemplo, temos agentes que ajudam a realizar a cobrança corretamente, fazer conciliações e tratar as contas médicas com mais precisão. Nas operadoras, trabalhamos com soluções de IA para analisar a elegibilidade dos pacientes e as solicitações de reembolso, contribuindo para reduzir fraudes e custos. Nosso objetivo é ajudar os clientes a serem mais eficientes, atuando sobre as principais dores da operação e desenvolvendo soluções que tragam resultados concretos.
Quais são hoje os principais gargalos de gestão e digitalização do setor de saúde no Brasil e onde a tecnologia pode gerar avanços mais relevantes em eficiência operacional e controle financeiro?
Rogério Pires: Enxergo dois grandes gargalos na saúde. O primeiro são os dados. Sem dados, não existe IA, e hoje as instituições de saúde trabalham com informações muito fragmentadas. Isso dificulta a adoção da tecnologia. Temos trabalhado para ajudar essas instituições a melhorar seus dados e construir jornadas mais fluidas e otimizadas, de modo que que os agentes e assistentes de IA possam funcionar da melhor maneira.
O segundo desafio é o letramento dos profissionais. Queremos que o ser humano continue dominando a Inteligência Artificial, e não o contrário. Por isso, a capacitação dos profissionais é uma etapa muito importante. É necessário treinar as equipes, desde os médicos até os atendentes da recepção, para que possam utilizar essas ferramentas adequadamente.
IA aplicada à saúde
Como a IA está sendo incorporada ao portfólio de saúde da TOTVS e quais aplicações têm maior potencial de transformar a rotina das instituições do setor?
Rogério Pires: Trabalhamos com o LYNN, nossa plataforma de Inteligência Artificial, e nosso time desenvolve agentes focados no ERP. Estamos em um processo de construção e enriquecimento dos produtos com IA, principalmente em rotinas críticas. Para isso, buscamos clientes-piloto, identificamos as grandes dores que já conhecemos e também aquelas que os próprios clientes apresentam. Desenvolvemos muitos projetos em parceria com essas instituições e, depois, incorporamos as soluções ao nosso portfólio. Acredito que ainda estamos no início da jornada de adoção da IA. Por isso, procuramos direcionar o desenvolvimento conforme a demanda do mercado, sempre com o objetivo de tornar nossos clientes mais eficientes.
Além das aplicações diretamente relacionadas ao atendimento, como a IA pode contribuir para as atividades administrativas, como faturamento, autorizações, auditorias, gestão de recursos e redução do retrabalho?
Rogério Pires: As rotinas administrativas são justamente aquelas em que podemos obter ganhos tangíveis, com retorno mais rápido sobre o investimento. Já temos soluções de auditoria médica com Inteligência Artificial utilizadas por dezenas de clientes. Também trabalhamos com IA no faturamento médico e no agendamento, a fim de reduzir a demanda por atendimento nos call centers. Com a automação do agendamento, conseguimos gerar um ganho operacional importante para os clientes. As rotinas de reembolso também são relevantes. São aplicações que ajudam a resolver problemas concretos das instituições e estão entre as principais demandas que recebemos para o desenvolvimento de agentes e assistentes de Inteligência Artificial.
De que maneira a combinação de IA, análise de dados e sistemas integrados pode ajudar gestores de saúde a tomar decisões mais rápidas e precisas, sem comprometer a segurança das informações e a qualidade do atendimento?
Rogério Pires: Na TOTVS, trabalhamos com o conceito de narrow AI, ou inteligência artificial especializada. Não trabalhamos com uma IA genérica, buscamos especializar a tecnologia para cada área de atuação. Quando desenvolvemos nossas soluções, temos muito cuidado em criar um ecossistema de segurança para que os dados dos pacientes não sejam expostos. A IA especializada em saúde deve falar a linguagem da saúde, assim como uma solução voltada ao varejo deve atender às necessidades desse segmento.
Procuramos ainda fazer com que os profissionais entendam o que a IA está fazendo. Queremos que médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais consigam compreender e utilizar a tecnologia em suas atividades. Essa especialização facilita o trabalho e dá mais segurança aos clientes em relação às soluções que entregamos.
Quais são os principais obstáculos para ampliar o uso da IA na saúde, considerando a integração com sistemas legados, a qualidade dos dados, a privacidade das informações e a necessidade de supervisão humana?
Rogério Pires: O letramento dos profissionais e a qualidade dos dados são questões muito importantes. Não adianta chegar a uma instituição e oferecer agentes de Inteligência Artificial sem que exista uma estruturação adequada dos dados e dos processos. Temos ajudado nossos clientes nessa preparação. Outro ponto é que precisamos sair da fase de experimentação e avançar para aplicações que tragam resultados concretos. A Inteligência Artificial, por si só, não gera benefícios. É necessário desenvolver uma solução que resolva uma dor real da instituição.
Existe muito investimento em IA, mas precisamos avaliar o retorno. Temos que pensar em uma Inteligência Artificial que efetivamente traga resultados para a instituição, caso contrário, corremos o risco de gastar recursos sem obter os benefícios esperados.
Como você avalia o atual estágio de transformação digital da saúde no Brasil? Quais áreas avançaram mais e onde ainda é necessário modernizar?
Rogério Pires: Avalio que o estágio de adoção ainda é baixo, mas o crescimento é exponencial. Acredito que, quando voltarmos a conversar no próximo ano, estaremos em outro patamar. Estamos saindo de uma fase de prototipação para uma etapa de uso prático da Inteligência Artificial. Já começamos a levar clientes para conhecer experiências concretas e entender quais resultados estão sendo obtidos.
As instituições maiores e os próprios fornecedores de tecnologia têm um papel importante na disseminação dessas experiências. Quando apresentamos casos práticos de clientes com maior maturidade, conseguimos levar esse conhecimento a instituições que ainda estão em estágios iniciais. Isso ajuda a romper a barreira da experimentação e avançar para a adoção efetiva. Ainda estamos no início dessa jornada, mas o ritmo de crescimento é bastante significativo. Estou otimista em relação aos resultados que a tecnologia poderá proporcionar.