A Hospitalar, o mais importante evento de saúde e a principal plataforma de geração de negócios e networking do setor na América Latina, deu continuidade aos debates de temas que estão moldando a saúde do futuro. 

No Congresso de Infraestrutura, a sustentabilidade ambiental foi um dos assuntos abordados. Segundo Anderson Cremasco, curador do congresso, “a pauta reflete a crescente preocupação do setor de infraestrutura hospitalar com os impactos ambientais das operações de saúde. O debate ganha relevância porque hospitais estão entre as estruturas que mais consomem energia, água e outros recursos, além de gerarem grande volume de resíduos”.

A programação contou com especialistas que abordaram diferentes perspectivas sobre o tema e reforçou que a sustentabilidade não deve ficar restrita a um único setor dentro das empresas. “Para que as metas ESG sejam efetivas, é necessário o envolvimento de diferentes áreas, como Manutenção, Engenharia Clínica, Obras e Operações. A proposta é estimular uma atuação multiprofissional, capaz de integrar esforços e promover resultados concretos em eficiência e responsabilidade ambiental”, diz Cremasco. 

Rubens Filho, gerente executivo do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, fez uma análise sobre sustentabilidade no contexto hospitalar e os desafios globais da agenda ESG, destacando o lançamento do Caderno Temático Empresarial de Justiça Climática voltado à área da saúde, documento que traça um panorama do papel do setor tanto na geração de emissões quanto nas oportunidades de transformação e mitigação desses impactos.

“A publicação destaca, por exemplo, o potencial de hospitais, consultórios e laboratórios ampliarem o uso de fontes de energia mais sustentáveis em suas operações. Também aborda a integração entre governança, direitos humanos e meio ambiente, temas que devem fazer parte cada vez mais das estratégias e da rotina das instituições de saúde, inclusive na relação com suas cadeias de valor”, explicou o especialista.

Anfilófio Rodrigues, gerente de Eficiência e Meio Ambiente do Einstein Hospital Israelita, apresentou as práticas adotadas pela instituição, destacando que a redução das emissões de carbono no setor hospitalar passa, principalmente pelo enfrentamento de grandes fontes emissoras, como o consumo de energia elétrica e o uso de combustíveis fósseis. Desde 2005, a instituição vem reduzindo de forma progressiva suas emissões, mas o principal desafio continua sendo a substituição dos combustíveis fósseis.

Encerrando o debate, Rodrigo Henriques, sócio-diretor da Lanakaná ESG, apresentou estratégias e tendências voltadas à sustentabilidade na gestão hospitalar. “O debate sobre sustentabilidade ultrapassa a esfera operacional e a execução de projetos, posicionando-se em um nível estratégico, diretamente conectado à governança corporativa e à tomada de decisões. Essa visão mais estruturada contribui para acelerar processos, ampliar a compreensão do tema e facilitar a implementação de mudanças”, avaliou. 

Hospitalar abre espaço para discutir a importância da parceria entre os sistemas de saúde

O papel da saúde privada em 2026 para a promoção do acesso a uma saúde mais igualitária também foi tema do segundo dia da Hospitalar. O assunto foi abordado por Aline Costa, diretora do Departamento de Cooperação Técnica, Inovação e Desenvolvimento em Saúde do Ministério da Saúde, na Arena Plaza Hospitalar, que contou com o apoio do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindiHosp). 

A palestra teve a mediação de Francisco Balestrin, presidente do Conselho de Administração da Federação dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios (FeSaúde) e do SindiHosp; e de Breno Monteiro, presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde). 

Na avaliação de Aline, a saúde privada deverá assumir em 2026 um papel cada vez mais estratégico na articulação institucional das políticas públicas de saúde no Brasil, em especial diante da necessidade de ampliar o acesso da população aos serviços especializados, reduzir filas e acelerar a transformação digital do sistema de saúde.

A expectativa é que o setor privado atue não apenas como prestador de serviços, mas também como parceiro institucional na incorporação de tecnologias, na qualificação da assistência e no desenvolvimento de modelos mais eficientes de gestão. “O fortalecimento do SUS continua sendo prioridade estratégica do Governo Federal, mas a capacidade instalada do setor privado pode contribuir de forma decisiva para ampliar o acesso da população, sobretudo em áreas de média e alta complexidade”, disse.