Tecnologia, eficiência operacional e humanização estiveram entre os principais temas da Entrevista Master com Paulo Moll, CEO da Rede D’Or, realizada no primeiro dia do Healthcare Innovation Show 2026 (HIS).
Conduzida por Juliana Vicente, diretora do portfólio de Saúde da Informa Markets, a conversa abordou o uso de inteligência artificial (IA) e robótica, o modelo de gestão da rede, expansão, formação médica, pesquisa e experiência do paciente.
Robótica e IA: pilares da inovação
Moll afirmou que a Rede D’Or decidiu investir em robótica há anos, mesmo diante dos custos elevados e de um retorno financeiro que não seria imediato.
“A gente viu que a robótica era o caminho sem volta para o futuro. Mesmo que, no início, o retorno financeiro não fosse imediato, entendemos que era uma tecnologia que tinha chegado para ficar”, afirmou.
Sobre a IA, o executivo citou aplicações voltadas à jornada do paciente e ao apoio ao corpo clínico. Entre elas estão ferramentas capazes de gravar consultas, produzir resumos e sugerir pontos relevantes para o médico. Segundo Moll, o objetivo é reduzir tarefas burocráticas e liberar tempo para a relação com o paciente.
“Hoje, temos IA gravando consultas, fazendo resumos e até sugerindo pontos importantes para o médico. Isso libera o profissional de tarefas burocráticas e melhora a experiência do paciente”, disse.
De acordo com o CEO, nas áreas em que essas soluções foram implementadas, o NPS de médicos e pacientes aumentou.
Eficiência como estratégia de gestão
A eficiência também esteve entre os temas centrais da entrevista. Para Moll, o conceito significa alcançar “o melhor resultado com os recursos disponíveis”. De acordo com o executivo, o modelo de gestão da Rede D’Or busca equilibrar resultados financeiros e técnicos com a experiência percebida pelos pacientes.
“A eficiência financeira nos permite investir em novas tecnologias e melhorar a experiência do paciente, sem abrir mão da qualidade do atendimento”, pontuou.
Moll explicou que o modelo combina descentralização operacional e centralização estratégica. As decisões do dia a dia ficam sob responsabilidade das unidades de negócio, enquanto a alocação de capital e os investimentos estratégicos são definidos pela alta administração.
“Os recursos são finitos, e precisamos escolher projetos que tragam retorno financeiro ou que estejam alinhados com a nossa estratégia”, explicou.
O executivo também citou o Centro de Serviços Compartilhados (CSC), que consome menos de 4% da receita da rede. A estrutura foi apresentada por Moll como parte da estratégia de eficiência administrativa.
Tecnologia para reduzir a burocracia
A experiência do paciente foi relacionada por Moll à digitalização e à automação de processos. Entre as iniciativas citadas estão o check-in online, a digitalização de processos e a automação de etapas da recepção e da internação.
“Muito da experiência negativa do paciente vem da burocracia. Estamos investindo para simplificar e humanizar esse atendimento”, explicou.
A inteligência artificial também vem sendo aplicada, segundo o executivo, a processos administrativos, como o fechamento de contas hospitalares. A expectativa é reduzir erros e retrabalho.
“Ainda temos cerca de 5.000 pessoas envolvidas nesses processos, mas estamos avançando para torná-los mais automatizados e eficientes”, afirmou.
Apesar do avanço tecnológico, Moll ressaltou que a dimensão humana continuará tendo papel central na assistência.
“Daqui a cinco, dez anos, o bom atendimento do médico, do enfermeiro, o carinho e o trato humano, aliados às tecnologias, vão continuar fazendo diferença. A essência de cuidar e buscar a cura ou o conforto do paciente não vai mudar”, declarou.

Expansão, formação médica e pesquisa
Moll também falou sobre os planos de expansão da Rede D’Or para outros estados brasileiros e mencionou investimentos em novas unidades em Sorocaba.
O executivo falou sobre ainda a estratégia de manter a independência entre a Rede D’Or e a SulAmérica. Para Moll, 70% dos pacientes da rede vêm de outras operadoras.
Outro tema abordado foi a formação médica. Moll mencionou a criação de uma faculdade de medicina no Rio de Janeiro, com previsão de início das atividades.
“Queremos formar profissionais dentro da nossa cultura, com acesso às melhores tecnologias e práticas. A essência do DNA da Rede D’Or estará presente na formação desses médicos”, afirmou.
Na pesquisa, o executivo mencionou o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), que conta com 150 PhDs e 50 doutores e pós-doutores em enfermagem.
“O IDOR publica mais artigos de primeira linha do que muitas universidades americanas. Isso mostra o nosso compromisso com a pesquisa e a inovação”, disse Moll.
Soft skilss e o médico do futuro
Ao falar sobre as habilidades necessárias para o médico do futuro, Moll elencou as soft skills e a capacidade de estabelecer conexão com o paciente.
“A medicina não é só ciência, é também arte. O médico precisa ter o lado humano para capturar coisas que um algoritmo nunca vai conseguir”, avaliou.
A relação com o paciente também apareceu quando Juliana Vicente mencionou a prática de Moll de responder pessoalmente a reclamações de pacientes no Linkedin.
“Espero que qualquer colaborador, ao ver um cliente insatisfeito, tome uma ação. Isso é o que eu espero de todos na organização”, disse Moll.
Ao longo da entrevista, o executivo defendeu uma abordagem que combina tecnologia, eficiência e cuidado. “Nosso propósito é levar o melhor da medicina para cada vez mais lugares do Brasil, sempre com excelência e inovação”, resumiu.
Acompanhe, no Saúde Business, a cobertura do HIS 2026 e veja os principais debates e tendências que estão movimentando o setor de saúde.