O Hospital Sírio-Libanês obteve acreditação da Foundation for the Accreditation of Cellular Therapy (FACT) para seus programas de transplante de medula óssea e terapia celular. O reconhecimento atesta a conformidade dos processos assistenciais, laboratoriais e de gestão da qualidade com os padrões internacionais estabelecidos pela organização.
A avaliação abrange toda a jornada do tratamento, da seleção de pacientes e doadores ao acompanhamento após a intervenção. Entre os critérios analisados estão a identificação e o manejo precoce de complicações, além dos controles aplicados à coleta, ao processamento, ao armazenamento, ao transporte e à administração de produtos celulares.
Um dos pontos centrais é a rastreabilidade. “Um exemplo prático é a rastreabilidade de uma bolsa de células desde a coleta até sua infusão, com controles rigorosos de identificação, qualidade, armazenamento e transporte”, explica Maria Cristina Seiwald, hematologista do Centro de Oncologia e Transplante de Medula Óssea e gerente de Qualidade do Programa de Transplante de Medula Óssea do hospital.
Esse tipo de controle exige a integração de diferentes etapas e equipes, com procedimentos padronizados para reduzir riscos e assegurar que os produtos celulares sejam manipulados e administrados de acordo com os requisitos estabelecidos.
Integração entre equipes e processos
A inspeção internacional incluiu a análise da infraestrutura, das práticas clínicas, da capacitação dos profissionais e dos mecanismos de gestão da qualidade. A preparação envolveu equipes de Hematologia, Terapia Celular, coleta, processamento, laboratórios, enfermagem, farmácia e qualidade.
O escopo da acreditação contempla transplantes autólogos e alogênicos de células progenitoras hematopoéticas em adultos, além de terapias com células efetoras imunes, como as células CAR-T, modificadas para reconhecer e combater células tumorais. Também inclui atividades de coleta e processamento de produtos celulares, conforme as modalidades e os critérios previstos na acreditação.
A abrangência dos processos avaliados evidencia a complexidade operacional dessas terapias, que dependem da coordenação entre assistência, laboratório e controles de qualidade. Para as instituições que oferecem esses tratamentos, a gestão precisa assegurar a consistência dos procedimentos ao longo de toda a jornada, inclusive nas etapas que antecedem a administração das células.
Expansão das terapias e pesquisa clínica
Entre os próximos passos do programa estão a consolidação das terapias já disponíveis, a preparação para novas indicações de tratamentos com células geneticamente modificadas e o desenvolvimento e a participação em pesquisas clínicas. Segundo o hospital, o reconhecimento também favorece o estabelecimento de parcerias com centros internacionais.
A incorporação de novas estratégias terapêuticas, no entanto, depende das aprovações regulatórias aplicáveis e da existência de evidências científicas que sustentem sua utilização.
“Nosso objetivo é ampliar o acesso a essas terapias de forma segura, com rastreabilidade, qualidade e acompanhamento sistemático dos resultados”, afirma Maria Cristina.
A expansão dessa modalidade de tratamento exige, portanto, não apenas capacidade técnica e infraestrutura especializada, mas também processos de qualidade capazes de acompanhar a complexidade das terapias e a evolução das evidências clínicas.