A 31º edição da Hospitalar, o mais importante encontro de saúde e a principal plataforma de geração de negócios, teve início nesta terça-feira (19) e trouxe em sua programação debates sobre gestão, humanização, facilities, hotelaria e outros temas relacionados à cadeia de saúde no Brasil.

Um dos destaques foi o 2º Congresso de Supply Chain, com o painel “Gestão Colaborativa e Sinérgica: O Modelo da AHFIP”. O evento, que contou com palestra do CEO da Associação de Hospitais Filantrópicos (AHFIP), Wilson Leite Pereira Jr, mostrou como a instituição conseguiu alcançar melhores resultados e diminuição de desperdícios no processo de compras de suprimentos para hospitais. A ideia foi adotar um sistema de gestão conjunta entre todos os setores das instituições.

Anderson Cremasco, curador do congresso, destaca o valor prático dessa estratégia. “É um movimento importante, que pode auxiliar outras instituições de saúde. O plano é reunir vários processos de cotação de materiais e medicamentos, de diversas áreas, para fazerem compras conjuntas. Esse movimento agiliza o processo de aquisição de materiais, otimiza etapas e organiza melhor todas as informações necessárias para que a operação seja feita”, detalha.

Além do modelo de compra conjunta, o painel apresentou um case do Mercado Livre, representado por Luiz Vergueiro, diretor sênior de logística da empresa, que ampliou a logística no segmento da saúde. “O Mercado Livre deve trazer impactos diretos na entrega direta na casa do paciente ou no hospital. Acreditamos que a entrada de grandes empresas como essas podem criar novas possibilidades para beneficiar tanto o consumidor final quanto o mercado B2B. A ideia é compreender como podemos planejar a melhor forma desta entrada para gerar benefícios para a cadeia de suprimentos”, comenta.

Congresso de H&F discute integração com a tecnologia

A humanização também esteve no centro das discussões, com um debate promovido pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (ABDEH), que discutiu a integração entre tecnologia, pessoas e arquitetura hospitalar, além de compartilhar boas práticas do setor. 

O curador do congresso, Marcelo Boeger, da Hospitallidade Consultoria, destacou que “o evento foi concebido para os profissionais envolvidos na operação hospitalar, com a ideia de trazer temas como operação de lavanderia, rouparia, higiene predial, gerenciamento de leitos e infraestrutura de facilities, áreas essenciais para ampliar a eficiência hospitalar e, consequentemente, melhorar a experiência do paciente durante sua permanência no hospital”.

Para Doris Vilas Boas, presidente da ABDEH, o setor precisa refletir sobre como os profissionais de saúde contribuem para transformar o ambiente hospitalar em um espaço de acolhimento e cura. “Ter uma equipe eficiente e uma infraestrutura adequada é fundamental, mas o acolhimento continua sendo um dos principais aspectos buscados por quem procura atendimento”, diz.

Segundo Boeger, “o primeiro dia da programação foi direcionado a temas ligados a processos, produtividade, eficiência operacional, escassez de mão de obra e controle de infecção hospitalar.” Já no segundo dia (20/05), o foco estará na tecnologia, com apresentações de soluções capazes de elevar a eficiência e a produtividade das operações hospitalares. O encerramento contará com uma palestra sobre inteligência artificial e suas aplicações na hotelaria hospitalar e no cuidado ao paciente.

Congresso CTISD discute o impacto da tecnologia na operação hospitalar e prática clínica

O evento inédito, que aconteceu nesta terça-feira e continuará nesta quarta-feira, promoveu um debate qualificado sobre os principais desafios e oportunidades trazidos pela transformação digital na saúde, reunindo dirigentes hospitalares, lideranças de tecnologia, especialistas e gestores do ecossistema de saúde para discutir os benefícios do impacto da tecnologia na operação hospitalar, prática clínica e no apoio à gestão.

Com a curadoria da Associação Brasileira de CIOs e Gestores de Tecnologia em Saúde (ABCIS), o Congresso de Tecnologia e Inovação para Saúde Digital (CTISD) apresentou o painel ‘Melhores práticas de Governança de IA em Saúde’, marcando a abertura da programação. O debate reuniu Gustavo Guimarães (Diretor Executivo na Rede D’Or) e Carlos Lima (Diretor Jurídico da ABCIS), contando com a mediação de Mônica Pugliese, Diretora de Inovação e IA Aplicada na Rede D’Or.

Voltado para dirigentes e gestores hospitalares, membros de comitês de tecnologia e inovação, lideranças de TI e especialistas em saúde digital, o CTISD busca ir além do debate conceitual, priorizando resultados concretos, boas práticas e estratégias capazes de gerar valor real para as organizações de saúde. 

Segundo Lima, a governança de IA é hoje uma necessidade estratégica. O especialista pontuou que o uso da tecnologia no setor já é regido por marcos importantes, citando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a recente Resolução CFM nº 2.454/2026 e normas específicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Houve consenso entre os especialistas de que a adoção de ferramentas de IA deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar um requisito de sobrevivência no mercado. Guimarães pontuou esse desafio, observando que o dilema entre inovar e controlar é uma realidade constante para as empresas.