Reduzir o tempo até o diagnóstico de doenças imunomediadas, como psoríase e artrite psoriática, tornou-se um dos focos das discussões sobre organização do cuidado. Além de comprometer os desfechos clínicos, o atraso favorece a progressão silenciosa da doença, aumenta a complexidade do tratamento e amplia a utilização de recursos assistenciais.
Com o objetivo de enfrentar esse cenário, Novartis e Siemens Healthineers anunciaram uma parceria estratégica que une indústria farmacêutica e tecnologia médica para fomentar o diagnóstico precoce por meio da integração entre avaliação clínica, exames de imagem e educação médica continuada.
A iniciativa, lançada durante a Jornada Paulista de Radiologia 2026, terá continuidade em congressos científicos, simpósios, sessões educacionais e uma série de podcasts voltados a reumatologistas, dermatologistas e radiologistas. O foco será disseminar boas práticas relacionadas ao uso do ultrassom na tomada de decisão clínica e estimular modelos de cuidado integrado.
Organização do cuidado passa a ser prioridade
Embora o debate sobre diagnóstico precoce costume ser tratado sob a perspectiva clínica, as empresas defendem que o tema também precisa ocupar espaço nas estratégias de gestão.
Segundo Luca D’Attila, head de Imunologia da Novartis, o atraso diagnóstico está diretamente relacionado à fragmentação da jornada assistencial, na qual o paciente percorre diferentes especialidades sem integração estruturada entre os profissionais.
“Esse tema vem deixando de ser exclusivamente clínico e passando a integrar também a discussão sobre organização do cuidado em saúde”, explica.
Na avaliação do executivo, gestores, hospitais, operadoras e formuladores de políticas públicas têm papel relevante na construção de jornadas mais coordenadas, capazes de favorecer a identificação precoce dos pacientes e melhorar a qualidade assistencial.
Tecnologia de imagem pode reduzir gargalos assistenciais
Na visão da Siemens Healthineers, o ultrassom tem potencial para ocupar uma posição estratégica nesse processo.
A evolução tecnológica dos equipamentos, associada ao Doppler de alta sensibilidade, permite identificar alterações inflamatórias precoces em articulações, tendões e enteses, muitas vezes antes do aparecimento de danos estruturais permanentes.
Além da qualidade das imagens, características como disponibilidade, ausência de radiação e possibilidade de realização durante a consulta tornam o exame uma ferramenta capaz de acelerar a confirmação diagnóstica e reduzir etapas da jornada do paciente.

Para Antonio Primola, head de Ultrassom da Siemens Healthineers Brasil, a tecnologia pode contribuir para diminuir o intervalo entre os primeiros sintomas e o início do tratamento adequado.
Segundo o executivo, ainda existem desafios importantes para ampliar essa utilização, principalmente relacionados à capacitação dos profissionais e à incorporação do ultrassom nos protocolos assistenciais das instituições de saúde.
Integração entre especialidades ganha protagonismo
Outro eixo da parceria é fortalecer a colaboração entre radiologistas, dermatologistas e reumatologistas.
A proposta é ampliar a troca de conhecimento científico para que as informações obtidas pelos exames de imagem sejam incorporadas de forma mais estratégica ao processo de decisão clínica.
Na avaliação das empresas, esse modelo favorece diagnósticos mais precisos, definição terapêutica mais assertiva e monitoramento contínuo da resposta ao tratamento, aproximando o setor de um cuidado mais personalizado e baseado em valor.
Indicadores para acompanhar a jornada
Sob a ótica da gestão, a parceria também reforça a importância do uso de indicadores para identificar gargalos assistenciais.
Entre as métricas consideradas relevantes estão:
- Tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico;
- Intervalo entre encaminhamentos para diferentes especialistas;
- Tempo até o início do tratamento adequado;
- Continuidade da jornada assistencial;
- Integração entre diferentes pontos de atenção.
Para as empresas, acompanhar esses indicadores pode apoiar instituições de saúde na identificação de oportunidades para reduzir atrasos diagnósticos, melhorar a coordenação do cuidado e otimizar o uso dos recursos assistenciais.
Ao unir tecnologia diagnóstica, educação médica e integração multiprofissional, a parceria busca ampliar o debate sobre modelos de cuidado capazes de beneficiar tanto os pacientes quanto a sustentabilidade dos sistemas de saúde.