Davi Uemoto e Rafael Braile*

Quando discutimos inovação em saúde, é comum que o debate se concentre nas tecnologias, nas pesquisas ou nos avanços científicos. Todos esses elementos são fundamentais. Mas existe um fator menos visível, embora decisivo para que a inovação aconteça: o ambiente de negócios. 

Criar um dispositivo médico é um processo complexo, de alto risco e de longo prazo. Da concepção até a chegada ao paciente, são anos de desenvolvimento, investimentos contínuos, validações técnicas, estudos clínicos, certificações e aprovações regulatórias. Nenhuma empresa percorre esse caminho sem previsibilidade, estabilidade e políticas públicas consistentes. 

Foi justamente essa reflexão que norteou os debates do XI Fórum ABIIS, deste ano. Mais do que perguntar se estamos preparados para inovar, precisamos responder se, como país, queremos construir as condições para que essa inovação floresça de forma permanente. 

Nos últimos anos, o Brasil deu sinais positivos. Instrumentos de financiamento oferecidos pelo BNDES e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, demonstram que existe uma compreensão sobre a importância estratégica do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.  

O desafio é transformar essas iniciativas em uma política de Estado, e não em programas sujeitos aos ciclos de governo. Países que hoje lideram a inovação em saúde fizeram apostas de longo prazo. O Brasil já mostrou ser capaz de fazer isso em outros setores, como a agricultura. A saúde pode seguir caminho semelhante.