Em coletiva de imprensa virtual, a Associação Médica Brasileira lançou o Comitê Extraordinário de Monitoramento Covid-19 (CEM), que visa acompanhar permanentemente a pandemia em todo o território nacional, bem com as ações dos órgãos responsáveis pela saúde pública. A iniciativa é apoiada pelas 54 Sociedades de Especialidades e 27 Federadas AMB, entre as quais a Associação Paulista de Medicina (APM).

“Nesse momento, não podíamos deixar de nos posicionar com absoluta clareza frente ao cenário mundial, extremamente frágil, para dizer qual é o nosso papel. Lembrando que a gestão das políticas de Saúde não está em nossas mãos, portanto, queremos ser críticos e ao mesmo tempo propositivos, tanto para informar a população como para alimentar os gestores de Saúde”, explicou o presidente da AMB, César Eduardo Fernandes, abrindo a coletiva.

Na sequência, ele fez uma breve exposição cronológica da pandemia desde o surgimento do primeiro caso de infecção pelo vírus Sars-Cov-2 no Brasil, em fevereiro de 2020. Em dezembro do ano passado, já se somavam cerca de 200 mil mortes pela pandemia.

Diante do cenário alarmante no Amazonas, um dos estados mais críticos em proporção de infecções, somadas a falta de balões de oxigênio e ao anúncio de uma nova variante do vírus, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial do uso das vacinas Coronavac e de Oxford, em janeiro deste ano.

“Em fevereiro, nós da AMB, preocupados com essa questão, construímos uma força-tarefa e enviamos 32 médicos a Manaus para apoiar o atendimento à população frente à dramaticidade e à exaustão do sistema médico hospitalar físico e emocional. Já se prenunciava também o colapso em Rondônia, Acre e Roraima. E chegamos a 250 mil mortes pela Covid-19 no Brasil”, acrescentou Fernandes.

Como alertou o presidente da AMB, os números continuam subindo e em 25 das 27 capitais brasileiras, 80% dos leitos estão ocupados, um alerta crítico às autoridades públicas.  “Apesar de todos os apelos feitos ultimamente na maioria dos estados brasileiros, com alguns tomando medidas bem severas para isolamento social, dados de 12 de março mostram apenas 32,7% de isolamento social. Precisamos conscientizar a população para que voltemos a ter patamares maiores do que hoje estamos.”