O mercado de produtos farmacêuticos e cuidados com a saúde será um dos grandes protagonistas entre os setores da economia que sofrerão grande disrupções nos próximos anos, adverte um dos maiores especialistas internacionais na área de LifeSciences, Ariel Capone, vice-presidente, diretor da divisão Pharma e Saúde e responsável pela filial do gA (Grupo ASSA) nos Estados Undios. Caracterizado como um segmento ativo de fusões e aquisições (mergers&acquisitions), com forte demanda incremental de tecnologia, a disrupção virá com impactos diferentes sobre os distintos players e suas realidades.
Com o fim das patentes e a entrada no mercado de novos competidores, a tradicional Indústria da saúde (LifeScienses), muitas centenárias, tende à comoditização, com o desaparecimento da noite para o dia daquelas que não se reinventarem, mesmo as atuais líderes ou as de classe mundial (worldclass). A razão é simples. Mesmo as com marcas reconhecidas já não conseguem mais se diferenciarem das demais que conseguem praticar preços menores. Hoje é difícil diferenciar produtos de primeira linha daqueles sem reconhecimento mundial, são todos semelhantes, explica Capone.
O problema é que produtos sem marca e não protegidos por leis começam a entrar com força no mercado. “Tomemos como ponto de partida os fabricantes de Medical Devices, com suas organizações AAA centenárias e que historicamente se desenvolveram com foco no produto. Seja por meio do avanço das empresas chinesas ou ainda através da impressão 3D, o approach Product Driven levará, invariavelmente, à comoditização, com a impossibilidade de diferenciação. Esta realidade já pode ser observada hoje na Indústria de Traumas, por exemplo, onde já existem produtos sem marca e sem nenhuma diferença daqueles produzidos por empresas triplo A, como cadeiras de rodas, próteses, implantes para desobstruir veias (stents) ou mesmo no caso de aparelhos de grande complexidade para diagnóstico por imagem. Esta será sem dúvida uma realidade em menos de cinco anos”, adverte Ariel.
De onde surgirão os produtos sem marca nem será a questão mais importante, acrescenta o consultor internacional do gA. “A tendência é que importa. Por ser inevitável, trará uma forte consequência no mercado. Empresas irão desaparecer rapidamente, enquanto aquelas mais ágeis, tradicionalmente produtoras, passarão a oferecer novas soluções para venderem produtos”, prevê.
A grande mudança ocorrerá na habilidade que as empresas terão que desenvolver para mudar seu foco de Product Driven para Solution Driven, ou seja, irão passar não mais vender um produto, mas uma solução completa. Um exemplo prático. No futuro imediato, o fabricante de stents, para escoar o seu produto, vai precisar vender a cirurgia para implantar a pequena peça de metal que infla as veias como balão. Irão fazer um outsourcing completo que incluirá o stent no pacote. A tendência que ganha força é que, para vender produtos, a empresa precisará prover a solução, reforça Capone.
Esta nova realidade implica em uma mudança radical na estrutura comercial das companhias, cujos vendedores já estão habituados a vender “caixinhas” e terão que passar para uma venda muito mais complexa e lucrativa, aponta o responsável pelo gA nos Estados Unidos.