O Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, realizou em 10 de agosto  a primeira neurocirurgia robótica do Brasil. O procedimento foi conduzido em um paciente que sofria de dor na coluna lombar com irradiação para os membros inferiores e não obteve sucesso com tratamentos clínicos prévios. O homem de 65 anos foi operado pela equipe dos neurocirurgiões Arthur Pereira Filho e Nelson Pereira Filho.

 O procedimento foi uma artrodese de coluna lombar, que consiste no implante de parafusos pediculares com o objetivo de estabilizar duas ou mais vértebras instáveis da coluna. Para isso, a equipe utilizou uma tecnologia inovadora: o braço robótico Cirq, da Brainlab, empresa alemã especialista em cirurgia assistida por computador. O equipamento é o único aprovado para uso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e funciona em conjunto com o sistema de navegação cirúrgica Curve, do mesmo fabricante.

O navegador permite que o cirurgião faça um planejamento pré-operatório do procedimento, incluindo as incisões necessárias e as trajetórias  dos implantes para maximizar o desfecho cirúrgico. Intraoperatoriamente, o braço robótico aumenta a precisão do procedimento, garantindo a execução milimétrica das trajetórias previamente planejadas. “Antes da cirurgia começar, é possível definir com precisão as dimensões e o posicionamento dos parafusos que serão implantados no paciente”, explica o médico Arthur Pereira Filho.

Artrodese da coluna lombar

Conhecido por artrodese da coluna lombar, o procedimento visa corrigir fraturas por traumas ou enfermidades (osteoporose ou doenças oncológicas), além de anomalias provocadas por tumores, doenças degenerativas da coluna (desgaste articular, hérnia de disco), doenças congênitas (como a escoliose), entre outras. O implante pode ser realizado por meio de três tipos de cirurgia: convencional, navegada e robótica. 

No procedimento tradicional, o cirurgião usa imagens de raios-X  para direcionar o parafuso no local implante. A precisão desta técnica depende da habilidade do cirurgião em perceber o posicionamento do pedículo e da qualidade das imagens intraoperatórias. Deformidades cifóticas, variações anatômicas e densidade óssea são alguns desafios enfrentados pelos cirurgiões ao implantar parafusos pediculares, podendo levar a significativos índices de parafusos mal posicionados2

A cirurgia navegada é um procedimento baseado em tecnologia que permite a reconstrução tridimensional da coluna2. Em um  equipamento, conhecido por neuronavegador, são inseridas imagens de tomografia computadorizada do paciente. Após processar as imagens, o  navegador indica na tela do computador a posição exata para o implante dos parafusos. Em tempo real, o cirurgião acompanha este processo e faz o procedimento.