O Professor Charles Safran é professor associado de medicina da Harvard e esteve no Congresso Brasileiro de Informática em Saúde – CBIS’14 – e discutiu amplamente a questões relacionadas ao grande tema do momento: big data. Confira abaixo como foi a palestra.
A revolução do Big Data
Para o dr. Safran, trata–se de uma revolução, a revolução dos dados e da informação. Nos deparamos com uma demanda por dados melhores, com o desafio de garantir o suprimento de dados relevantes em grande escala e o desenvolvimento tecnologias que suportem a seleção e extração dos dados úteis. Somente o Governo tem as condições necessárias para catalisar o mercado e superar o desafio que está posto. Cabe a ele ouvir as partes envolvidas, promover espaços de discussão, criar protocolos e padrões para troca de informações e comunicação entre sistemas.
De onde vem os dados de saúde?
Os dados de saúde são oriundos, tradicionalmente, de locais que realizam ou são responsáveis pelo atendimento de pacientes: hospitais, consultórios, farmácias, operadoras de saúde, governo etc. Entretanto, cada vez mais outras fontes estão ganhando espaço e importância: aplicativos, mídias sociais, mobile devices, sensores, jogos eletrônicos (games), registros pessoais de saúde, entre outros.
Medicina Baseada em Evidências (MBE)
O big data é uma grande promessa para os estudos científicos e medicina baseada em evidências. Os estudos de laboratório são extremamente caros e só é possível recriar uma fração das condições clínicas, seja por barreiras tecnológicas ou questões éticas. Além disso, os critérios de inclusão e de exclusão limitam as generalizações fora do laboratório. Com dados reais, é possível estudar mais as doenças raras e complexas, com evidência de alta qualidade: a realidade.
Objetivo dos Eletronic Heath Records (EHR)
Os Registros Eletrônicos de Saúde (RES) são muito convenientes e promovem economia financeira, uma vez que eliminam o uso do papel, das letras ilegíveis, dos campos não preenchidos, o risco de folhas do prontuário se perderem e de um espaço para armazenamento dos dados. Segundo Safran, existem, porém, diversas outras vantagens: aumentam a qualidade do cuidado e a acuracidade do diagnóstico, pois é possível parametrizar alertas e orientações que auxiliam a equipe durante o atendimento; promovem a coordenação do cuidado, com um prontuário único utilizado por toda equipe de saúde, legível; fica mais fácil capturar resultados de saúde e favorecem a participação do paciente, que pode enviar dados de fora do consultório para o prontuário (aplicativos de monitoramento via celular ou desempenho em jogos fitness de vídeo game, por exemplo) e acompanhar seu próprio progresso.