Em um relato anônimo à Forbes, uma CEO de uma startup significativa no Vale do Silício relatou como é o dia a dia das mulheres empreendedoras da Baía. A princípio, pensamos em uma população inovadora, com mente aberta para novas ideias e que entende a importância do relacionamento profissional no Vale, certo? Errado.
De acordo com este relato e com muitos outros, é visto que as mulheres empreendedoras da Califórnia passam por dias bastante complicados, sendo frequentemente desrespeitadas como profissionais e tendo que orientar a sua startup a esconder o gênero do CEO da empresa em reuniões externas.
Tal relato pode ser confirmado por histórias de outras empreendedoras, como Amanda Hess, Whitney Wolfe, Kathryn Minshew, Heidi Roizen e o que impressiona é que estas histórias parecem ser a regra e não a exceção.
Como uma região tão promissora pode ser tão retrógrada ao mesmo tempo? Em um ambiente de negócios, é tradicional que a maioria dos integrantes das empresas seja do sexo masculino por uma questão político-histórica, cujas peculiaridades já conhecemos.
Segundo esta CEO não identificada, as suas vestimentas devem ser cuidadosamente pensadas por ela todos os dias para que a imagem passada seja estritamente profissional, cabelos estão sempre presos e, com frequência, há um acompanhante masculino da empresa a acompanhando em eventos externos. Ela ainda recebeu comentários dizendo que uma empresa liderada por uma mulher era “uma piada“ e que isso “tirava o valor de uma empresa“.
Estes casos são especiais e delicados, porque elas não trabalham para nenhuma empresa, ou seja, não há uma equipe de RH para repreender o VC ou o parceiro profissional estratégico. Elas ainda se encontram em posição de necessidade de busca de financiamento, não podem simplesmente desistir, porque a empresa depende destes esforços.
É de extrema importância a discussão deste tipo de tópico no Brasil, onde o cenário empreendedor ainda é pequeno, para que não haja situações como estas e que as mulheres empreendedoras brasileiras sejam respeitadas e julgadas com a competência que lhes cabe profissionalmente.