A necessidade de reparação de danos aos portadores de doenças evitáveis – moléstias endêmicas vinculadas à pobreza – e de continuidade de políticas públicas de saúde foram destacadas em audiência realizada na quarta-feira (16) pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. O debate priorizou a necessidade de investir no tratamento preventivo e de acabar com o preconceito e a violência contra os doentes – muitos são afastados de suas famílias ainda na infância e isolados em abrigos.

Em sua exposição, a deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que “as doenças evitáveis carregam algo que é muito evitável – o preconceito”. A presença de doenças endêmicas nos países em desenvolvimento, segundo a deputada, está vinculada ao paradigma da “Casa Grande e Senzala”, pelo qual “os pobres e doentes devem viver reclusos e sem vínculos familiares”. “A correção das injustiças cometidas é um direito das crianças afastadas de seus pais”, complementa.

Hanseníase
Para o representante do Movimento para Reintegração de Pessoas atingidas pela Hanseníase (Morhan), Arthur Custódio, apesar do avanço da medicina pública, o Brasil é o segundo país com o maior número de casos da doença. Para combater a hanseníase, “é necessário não repetir a política de isolamento de doentes predominante na década de 1980”, afirma.

O sistema de saúde deve considerar a distribuição geográfica desigual da doença “e priorizar ações preventivas nos municípios mais atingidos das regiões Nordeste e Norte”, disse.

Conforme Magda Levantezi, do Ministério da Saúde, a doença tem altos índices na população infantil – foram registrados cerca de 2.500 casos em 2013. Para ela, uma das formas de enfrentar esse problema é por meio de campanhas nacionais de detecção da doença em escolas dos municípios mais afetados. Atualmente, essa iniciativa reúne 25 estados e 89% das escolas.

Tuberculose
O coordenador-geral do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde, Draurio Barreira, afirmou que o sistema de saúde deve priorizar ações conjuntas entre o Exército, a Justiça e o Ministério das Cidades. Para ele, “as políticas de saúde não podem erradicar doenças que requerem abordagem multissetorial, por envolver presidiários, índios e moradores de rua”.