Este ano, a HIMSS Global Health Conference & Exhibition contará com uma representação brasileira duas vezes maior em comparação à edição anterior. Segundo a  Associação Brasileira de CIOs e Gestores de Tecnologia em Saúde (ABCIS) a delegação deste ano conta com cerca de 35 executivos, incluindo CIOs, CFOs e CMIOs.

O evento, considerado o principal fórum mundial de tecnologia e inovação em saúde, é organizado pela Healthcare Information and Management Systems Society e será realizado em Las Vegas, nos Estados Unidos, de 9 a 13 de março.

Realizado desde 1962, o evento tornou-se uma referência global para o setor de saúde na discussão de tendências, políticas, transformação digital e modelos de cuidado orientados por dados, reunindo anualmente milhares de líderes e tomadores de decisão de diferentes países.

De acordo com Mariano Groiso, diretor da HIMSS para a América Latina, a relevância da conferência reflete a liderança global da organização em TI em saúde. “A HIMSS é a organização mais importante em TI em saúde no mundo e a maior. É uma organização sem fins lucrativos e líder neste setor, reunindo hospitais e empresas de tecnologia, além de desenvolver novos modelos de certificação e compartilhar tendências globais”, explica.

“A comitiva reúne líderes responsáveis por estratégia corporativa, transformação digital e governança de tecnologia, e durante uma semana nos dedicamos a uma agenda intensiva, possibilitando uma imersão profunda em busca de insights, aprendizado e benchmarking”, afirma Vitor Ferreira, presidente da ABCIS e CIO do Hospital Infantil Sabará.

Para acompanhar o crescimento do público brasileiro, a HIMSS passou a organizar, há alguns anos, o Brazil Summit, uma conferência interna dentro do evento com programação exclusivamente voltada ao mercado do Brasil.

“Realizamos esse evento em Las Vegas, onde temos o Latam Summit em espanhol e o Brazil Summit em português, reunindo os principais executivos hospitalares e tomadores de decisão de toda a região. Esses fóruns dedicados criam espaço para discussões mais focadas sobre desafios, prioridades e oportunidades regionais, ao mesmo tempo em que fortalecem a colaboração entre líderes latinos e a comunidade global de saúde”, afirma Mariano Groiso, diretor da HIMSS para a América Latina.

Nesse contexto, as expectativas dos participantes brasileiros vão além de acompanhar tendências e se concentram na identificação de aplicações práticas e escaláveis.

“O que me interessa na HIMSS não são experimentos isolados, mas casos em que a IA já ultrapassou a fase piloto e está gerando impacto mensurável. Quero explorar modelos em que algoritmos estejam reduzindo o tempo de internação hospitalar, otimizando o fluxo no pronto atendimento, apoiando a tomada de decisão clínica com menos eventos adversos e melhorando o desempenho operacional com impacto direto em custos e receitas”, destaca Felipe Cezar Cabral, CMIO do Hospital Moinhos de Vento e responsável pela diretoria médica na ABCIS.

Destaque para IA na saúde

O executivo também ressalta o interesse em iniciativas nas quais a IA esteja integrada aos fluxos assistenciais e aos prontuários eletrônicos, automatizando tarefas administrativas, qualificando processos de codificação e faturamento e reduzindo glosas. “No fim, a pergunta que levo para a HIMSS é simples: onde a IA já está gerando ROI clínico e financeiro consistente? É isso que precisamos replicar no Brasil”, completa Cabral.

Segundo Sonia Poloni, diretora executiva da ABCIS, o crescimento da delegação reflete o avanço da agenda de saúde digital no país, impulsionado tanto pelo sistema público quanto pela saúde suplementar, e evidencia o fortalecimento do papel estratégico da tecnologia dentro das organizações de saúde.

“Uma participação estruturada como a da delegação da ABCIS, que está mobilizando 78 executivos, fortalece a troca de experiências entre profissionais brasileiros e internacionais, amplia a visão de futuro dos líderes e contribui para decisões mais assertivas na adoção de tecnologias, sempre com foco na qualidade assistencial, segurança do paciente e eficiência econômica”, comenta.

Estudos internacionais do World Bank e da base global de despesas em saúde da World Health Organization, revelam que o total de gastos com saúde (pública e privada) no Brasil gira em torno de 9% do PIB, patamar semelhante à média de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“O Brasil tem capacidade técnica e lideranças preparadas para absorver as aplicações mais avançadas de IA na saúde, mas o desafio não é testar tecnologia, é escalar com governança. Ainda enfrentamos limitações em interoperabilidade, padronização de dados e integração de sistemas, além de modelos de remuneração que nem sempre recompensam eficiência ou desfechos clínicos”, explica Cabral. “Não falta talento ao Brasil, mas é preciso amadurecimento estratégico. Se alinharmos governança de dados, liderança clínica e visão institucional de longo prazo, podemos transformar a IA em vantagem competitiva, e não apenas em mais uma onda tecnológica passageira”, acrescenta.

O país conta com dezenas de hospitais certificados pela HIMSS Analytics em diferentes níveis do EMRAM, incluindo cerca de 20 a 25 instituições com certificação ativa e aproximadamente nove hospitais no nível 7, o mais alto reconhecimento de maturidade digital hospitalar.

O evento permite a antecipação estratégica das transformações tecnológicas que impactam a saúde global, além de benchmarking com sistemas mais avançados e conexão com tomadores de decisão em todo o mundo.

Além disso,  reúne participantes de cerca de 90 países, mais de 1.000 expositores e aproximadamente 40 mil participantes interessados em conhecer as melhores práticas em saúde digital, novos modelos de cuidado, interoperabilidade, IA e segurança da informação, temas centrais para os sistemas de saúde.