Durante o painel BRICS MULHERES: Hospitais Inteligentes e o Futuro da Saúde, realizado realizado na Hospitalar 2026, líderes femininas se reuniram para debater como a saúde tem se consolidado como um eixo estratégico para os países do bloco BRICS, com foco em tecnologia, equidade e sustentabilidade. O evento também abordou questões relacionadas à equidade de gênero, diversidade e os desafios enfrentados pelas mulheres na indústria e na ciência.
Mônica Monteiro, presidente da WBA no Brasil, começou o bate-papo abordando os desafios enfrentados por mulheres empreendedoras e a importância da integração entre os setores de saúde público e privado para superar barreiras. “A saúde deixou de ser um atendimento assistencialista e passou a ser uma cadeira de indústria muito forte, especialmente na tecnologia e no digital”, afirmou Monteiro.
A Aliança Empresarial de Mulheres do BRICS (Women’s Business Alliance/WBA), é um mecanismo criado em 2020 para fortalecer a participação econômica das mulheres e fomentar a cooperação entre empresas lideradas por elas nos países do bloco.
Monteiro dividiu o palco com outras líderes de destaque, como Elisa Kovalski, vice-líder da WBA; Adriana Costa, diretora geral da Siemens Healthineers; Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde; Janete Vaz, cofundadora do Sabin; e Danielle Feitosa, diretora do CNSaúde Mulher – Confederação Nacional de Saúde da Mulher. Juntas, elas discutiram como a tecnologia e os dados estão transformando o setor de saúde, além de reforçarem a necessidade de promover maior equidade de gênero e diversidade na ciência e na indústria.
O painel destacou o papel estratégico da saúde no contexto dos BRICS, evidenciando como o setor tem evoluído para se tornar um motor de inovação e desenvolvimento econômico, ao mesmo tempo em que busca soluções sustentáveis e inclusivas.
Governança, digitalização e cooperação internacional como fatores estratégicos
Elisa, vice-líder da WBA, destacou a relevância da governança e das pautas econômicas discutidas no movimento. “Existem debates fundamentais para a economia e para o desenvolvimento global, e a união entre as lideranças femininas é essencial para avançarmos”.
A secretária do Ministério da Saúde, Ana Estela, destacou o papel da digitalização e da inteligência artificial na saúde. “É importante desenvolver inteligência artificial com ética e foco no bem comum, como prega o plano brasileiro. Não podemos competir de forma individualista; a cooperação internacional é essencial”, afirmou.
Ela também comparou os sistemas de saúde do Brasil e da Índia, destacando os desafios enfrentados por ambos os países. “A Índia tem hospitais inteligentes com mil leitos e médicos cardiologistas de excelência, mas apenas 30% da população tem acesso à assistência de saúde. Eles estão muito avançados em tecnologia, mas não possuem um sistema como o SUS, que fortalece a atenção primária e a prevenção.”
A especialista em saúde digital também mencionou os avanços da telemedicina no Brasil. “Desde 2006, o SUS já realizou 6,3 milhões de atendimentos de telesaúde, cobrindo 79% dos municípios brasileiros. Hoje, temos um centro de inteligência artificial com 10 milhões de laudos, fazendo predições e diagnósticos em tempo real. Isso amplia e humaniza o atendimento, além de reduzir custos e emissões de gases com deslocamentos.”
Ana reforçou ainda a importância das iniciativas do Ministério da Saúde para promover equidade e diversidade. “Já é uma diretriz do SUS garantir equidade e diversidade. Nós fomos instadas pela nossa ancestralidade feminina a avançar, e estamos fazendo isso juntas. A sororidade está presente; não precisamos competir entre nós. Quando uma mulher chega, todas estão chegando juntas”, afirmou.
Ela explicou ainda sobre os avanços já realizados nas plataformas do Ministério: “Nos sistemas de informação, trabalhamos para que o nome social, racial e de gênero sejam autodeclarados, trazendo mais visibilidade para esses aspectos. Às vezes, é necessário criar espaços reservados e vagas específicas para garantir uma participação mais ampla.”
E por falar em machiscmo estrutural, Adriana, presidente da Siemens, confirmou a dificuldade das mulheres de ocuparem espaço no setor da tecnologia. “Hoje, apenas 14% das mulheres estão na indústria. Não é fácil empreender nesse setor, mas estamos avançando. Na Siemens, trabalhamos com programas como ‘Elas na Engenharia’, que levam equipes às escolas técnicas e universidades para desmistificar o acesso e garantir equidade”, explicou.
Ela citou como exemplo também o projeto realizado em parceria com a strt up Galileu, que já conectou mais de 580 mil pacientes ao Sistema Único de Saúde (SUS). Esse projeto utiliza a interoperabilidade de dados para integrar diferentes sistemas de saúde, permitindo uma coordenação mais eficaz do atendimento.
“O Galileu é um modelo inovador que busca melhorar a gestão de informações de saúde, facilitando o compartilhamento de dados entre unidades de atendimento, hospitais e profissionais de saúde. Com isso, é possível identificar padrões, prever necessidades e oferecer cuidados mais personalizados. Além disso, o projeto tem como foco a prevenção, reduzindo internações desnecessárias e otimizando recursos. Essa abordagem não apenas melhora a experiência dos pacientes, mas também contribui para a sustentabilidade do sistema de saúde, ao diminuir custos operacionais e evitar sobrecarga nas unidades de atendimento”, explicou.
Saúde mental e boas práticas globais
Janete Vaz trouxe à discussão a importância da saúde mental, destacando que o problema é mundial. “A nossa medicina é fantástica e estamos sendo exemplo para outros países. Precisamos continuar avançando e compartilhando boas práticas, especialmente na saúde da mulher.”
Elisa concluiu o encontro destacando a importância da união entre as mulheres. “Estamos reunindo informações e criando sinergias com outros países, como a Índia, para compartilhar boas práticas e enriquecer o diálogo. Esse tipo de cooperação faz com que todos cresçam, especialmente na saúde da mulher.”
O evento BRICS Mulheres reforçou que, com tecnologia, equidade e cooperação, é possível transformar a saúde em um eixo estratégico para o desenvolvimento global.