Em meio às discussões sobre transformação digital, eficiência operacional e sustentabilidade financeira na Hospitalar 2026, um tema também entrou na agenda do setor: o papel da liderança nas organizações de saúde. Foi nesse movimento que Liliana Cherfen lançou o livro “Gestão Humanizada – Liderar é Ver o Outro”.

A obra reúne reflexões, aprendizados e experiências construídas ao longo de sua trajetória à frente da Sincron. O lançamento reuniu executivos, profissionais da saúde e convidados durante a feira, em um momento marcado por discussões sobre cultura organizacional, liderança consciente e desenvolvimento humano nas empresas.

Juliana Vicente, head do portfólio de Saúde da Informa Markets, organizadora do evento, destacou a relevância de ampliar o debate sobre gestão humanizada dentro do setor.

“A Hospitalar também é um espaço para discutir cultura, liderança e desenvolvimento humano. O lançamento deste livro reforça como o cuidado com as pessoas precisa estar no centro das estratégias das empresas de saúde”, pontuou Juliana.

Durante lançamento, no dia 20 de maio, a CEO da Sincron exaltou Waleska Santos, presidente da Hospitalar, como uma inspiração em sua trajetória profissional e na construção de lideranças mais conectadas ao desenvolvimento humano.

Ao escrever, a empresária, que também integrou a série Mulheres na Saúde, constrói uma reflexão sobre como organizações podem alcançar resultados consistentes sem dissociar performance, propósito e relações humanas.

Liderança além dos indicadores

Ao apresentar o livro, a executiva compartilhou que a publicação nasce de experiências vividas ao longo de sua trajetória profissional e da observação sobre os impactos das lideranças no ambiente corporativo.

“Escrever este livro foi, acima de tudo, revisitar pessoas, histórias e aprendizados que marcaram minha trajetória”, afirmou.

Segundo Liliana, a proposta da gestão humanizada ainda é frequentemente interpretada de forma superficial pelo mercado, como um modelo permissivo ou excessivamente flexível. Para a CEO, o conceito exige consciência, responsabilidade e coerência na forma de liderar.

“Nos meus 21 anos de gestão da Sincron, aprendi que resultados sustentáveis acontecem por meio de líderes capazes de se autogerir. Porque a liderança humanizada começa na autoliderança”, disse.

A autora também ressaltou que empresas não se sustentam apenas por estruturas, processos ou metas.

“Sempre acreditei que empresas são feitas por pessoas. Sem elas, empresas são apenas estruturas, processos e espaços vazios”, declarou Liliana.

Cultura organizacional na prática

Ao longo da obra, Liliana aborda temas como confiança, desenvolvimento de talentos, relações interpessoais e cultura organizacional. Um dos pontos centrais do livro é a defesa de que o cuidado com as pessoas não deve ser tratado como algo dissociado da busca por eficiência e resultados.

“Cultura não está no discurso. Está na forma como as decisões são tomadas, como as relações são conduzidas e como as pessoas são tratadas dentro das empresas”, destacou durante o lançamento.

A discussão dialoga diretamente com um momento vivido pelo setor de saúde, marcado pela pressão por produtividade, avanço tecnológico, retenção de talentos e necessidade de adaptação constante nas organizações.

Nesse contexto, a obra propõe uma liderança mais conectada à escuta, ao desenvolvimento humano e à construção de relações sustentáveis dentro das empresas. “Cuidar e performar caminham juntos. Não é utopia. É decisão”, afirmou a autora.

Reflexão sobre o futuro da gestão

Mais do que apresentar um modelo de liderança, o livro propõe uma reflexão sobre o impacto humano das decisões tomadas dentro das organizações. Liliana deixou uma provocação sobre o papel das lideranças no ambiente corporativo.

“Espero que cada pessoa que leia esta obra saia dela com uma reflexão muito simples: ‘como eu faço o outro se sentir quando lidero?’ Porque, no fim, liderar é conexão humana”.