A gestão da saúde brasileira passa por um momento em que eficiência, qualidade assistencial e sustentabilidade financeira deixaram de ser temas paralelos e passaram a ocupar o centro da estratégia do setor. Em um sistema marcado pela convivência entre SUS, saúde suplementar e serviços privados, o desafio está em organizar melhor a jornada do paciente, reduzir desperdícios e ampliar a capacidade de entregar cuidado com segurança e continuidade.
Esse foi o tema central da entrevista com Francisco Balestrin, presidente do SindHosp e da FESAÚDE, no Podcast Hospitalar: Estúdio Saúde Business, gravado diretamente da Hospitalar 2026. Na conversa, o executivo detalhou a carta-manifesto “5 Inegociáveis da Saúde”, documento lançado no primeiro dia da Hospitalar e elaborado pela entidade para contribuir com o debate público e propor prioridades para a agenda do setor.
Segundo Balestrin, o primeiro ponto é reconhecer o paciente como único. Na prática, isso significa superar a fragmentação entre sistemas e serviços, entendendo que o cidadão não deve ser tratado como usuário isolado do SUS, da saúde suplementar ou de uma instituição específica. Para ele, a jornada de cuidado precisa considerar o paciente em sua totalidade.
Dados e acesso qualificado entram na agenda
A integração de dados é outro eixo central da proposta. Informações clínicas, histórico vacinal, exames, atendimentos e demais registros de saúde deveriam estar organizados em um ambiente único, padronizado e disponível para apoiar decisões assistenciais.
Na avaliação de Balestrin, esse avanço é indispensável para reduzir a fragmentação do cuidado e permitir que diferentes instituições tenham acesso a informações relevantes sobre o paciente, independentemente do ponto de atendimento.
O debate também envolve o conceito de acesso qualificado. Para o presidente do SindHosp, ter uma porta de entrada, uma autorização ou um plano de saúde não significa, necessariamente, receber cuidado de forma adequada. O acesso só se concretiza quando o paciente é atendido no tempo necessário, dentro de uma rede organizada e com continuidade assistencial.
A partir dessa lógica, Balestrin defende que o setor avance na organização das redes de cuidado e na mensuração dos desfechos clínicos. Ou seja, não basta realizar atendimentos ou procedimentos: é preciso acompanhar resultados, entender a efetividade do cuidado e usar essas informações para melhorar a gestão.
A entrevista completa aprofunda os debates sobre políticas públicas, gestão clínica, qualidade assistencial, sustentabilidade financeira e transformação do modelo de cuidado. O episódio está disponível no canal do Portal Saúde Business no YouTube.