A 12ª edição do Healthcare Innovation Show 2026, que aconteceu entre os dias 16 e 17, no SP Expo, contou com a participação de Portugal como país convidado, reforçando a importância da cooperação internacional para o avanço do setor de saúde. A conexão foi realizada por meio da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal – instituição governamental responsável por promover negócios, investimentos e estimular a transferência de tecnologia entre Portugal e outros mercados.
A iniciativa teve como foco não apenas a internacionalização, mas também o fortalecimento de parcerias estratégicas voltadas ao desenvolvimento de novas tecnologias para o sistema de saúde brasileiro. Essa colaboração busca unir competências e experiências para enfrentar desafios globais e regionais no setor.
“É através da partilha de experiências, da cooperação internacional e da aprendizagem mútua que conseguiremos construir sistemas de saúde mais resilientes, mais inteligentes e mais centrados nas pessoas”, destacou Francisco Catalão, secretário de Estado da Gestão da Saúde de Portugal, durante o evento.
A participação portuguesa no evento reflete o compromisso do país em contribuir para a inovação e a transformação dos sistemas de saúde, promovendo soluções que atendam às necessidades de diferentes realidades, como as do Brasil, e fortalecendo os laços entre as duas nações.
Com uma população de 11,4 milhões de habitantes, Portugal apresenta uma realidade de saúde distinta do Brasil, que conta com 213,4 milhões de pessoas e uma dimensão territorial incomparável. Essa diferença de escala e organização do cuidado torna o intercâmbio entre os dois países ainda mais produtivo, permitindo que soluções sejam adaptadas às necessidades específicas para o setor.
Transformação dos cuidados: Hospitalização domiciliar
Um dos principais exemplos trazidos por Portugal é a transformação dos modelos de prestação de cuidados, com destaque para a hospitalização domiciliar. Durante décadas, os sistemas de saúde foram organizados em torno dos hospitais como centros exclusivos para tratamentos de maior complexidade. Hoje, Portugal tem investido fortemente em um novo paradigma, permitindo que pacientes elegíveis recebam cuidados hospitalares em casa, com acompanhamento clínico especializado e monitoramento remoto.
“Demonstrou-se que é possível prestar cuidados complexos de forma segura, humanizada e próxima das realidades dos cidadãos. O valor desta abordagem não reside apenas na libertação de capacidade hospitalar, mas também na melhoria da experiência do doente e na continuidade assistencial”, explicou o representante português. Ele também destacou que o Brasil tem desenvolvido experiências relevantes nessa área, o que abre espaço para uma troca de conhecimentos sobre critérios clínicos, modelos organizacionais, financiamento e avaliação de resultados.
Saúde digital: uma transformação organizacional
Outro ponto de destaque da participação portuguesa no evento foi a saúde digital. Portugal tem avançado na integração de telemedicina, monitoramento remoto, uso de dados e inteligência artificial, com o objetivo de transformar a prestação de cuidados. “A transformação digital não pode ser apenas entendida como uma mudança tecnológica. Ela representa, acima de tudo, uma transformação organizacional profunda”, afirmou Catalão.
Um exemplo prático dessa inovação é o programa de fisioterapia remota apoiado por inteligência artificial, implementado no Serviço Nacional de Saúde de Portugal. Por meio de dispositivos certificados e algoritmos de apoio, os pacientes realizam exercícios prescritos em casa, recebendo feedback em tempo real sobre a execução dos movimentos. “Mais importante do que a tecnologia em si é aquilo que ela permite alcançar: reduzir o tempo de espera, aumentar a acessibilidade, melhorar a adesão terapêutica e liberar recursos para situações de maior complexidade”, destacou.
Interoperabilidade: um desafio global
A interoperabilidade foi outro tema bastante explorado no HIS como um todo e também citado pelo secretário português. “Precisamos de sistemas capazes de comunicar entre si, mas também de regras claras sobre o acesso à informação, consentimento, proteção de dados e responsabilização”, afirmou o representante.
Ele contou ainda que o país tem desempenhado um papel ativo no debate internacional sobre inteligência artificial em saúde, promovendo discussões sobre governança, ética, segurança e regulação. Em julho de 2026, Lisboa sediou uma conferência global sobre inteligência artificial em saúde, reunindo especialistas e decisores de dezenas de países. “A inovação só produzirá impacto sustentável se for acompanhada por mecanismos robustos de governança. Os cidadãos precisam confiar nos sistemas, os profissionais precisam compreender e validar as ferramentas, e os reguladores precisam garantir padrões adequados de segurança e desempenho”, enfatizou.
Cooperação internacional: um futuro colaborativo
Durante o HIS, Portugal e Brasil compartilham competências complementares que podem ser fundamentais para enfrentar os desafios do setor de saúde. Enquanto Portugal aporta experiência em saúde digital, modelos integrados de cuidados e regulação europeia, o Brasil contribui com sua vasta experiência em gestão de sistemas de grande escala e diversidade territorial. “Juntos, podemos construir soluções mais robustas, mais inclusivas e mais adaptáveis para responder aos desafios do presente e do futuro”, destacou Catalão.
A participação de Portugal no Healthcare Innovation Show 2026 é vista como uma oportunidade para fortalecer a cooperação bilateral e internacional. “O futuro da saúde será necessariamente colaborativo. Será construído através de redes de conhecimento, ecossistemas de inovação e parcerias internacionais. Nenhum país conseguirá enfrentar sozinho os desafios que temos pela frente”, concluiu o representante.
Startups portuguesas no HIS
Clicknurse
Entre as empresas portuguesas que vieram ao HIS, está a Clicknurse – marketplace digital que conecta profissionais de enfermagem a plantões em unidades de saúde parceiras.
A startup chegou ao Brasil em 2023, em plena pandemia, com o propósito de enfrentar um dos maiores desafios do setor: o absenteísmo nas escalas de enfermagem, um problema crítico tanto em Portugal quanto no Brasil.
Com uma proposta inovadora e resultados concretos, a Clicknurse se posiciona como um exemplo de como a tecnologia e a cooperação internacional podem impulsionar o setor de saúde, promovendo soluções eficientes e humanizadas para desafios globais.
“É um privilégio estarmos aqui trazendo a Clicknurse para o Brasil. Essa participação é muito importante para nós, pois fortalece nossa missão de transformar a gestão de enfermagem e contribuir para a saúde brasileira”, destacou Thais Lopes, coordenadora da Clicknurse.
Xeeft
Guilherme Ghira, cofundador e COO da Xeeft, empresa especializada em otimização hospitalar por meio de matemática e tecnologia, também destacou a importância de se conectar com o mercado brasileiro de saúde, reconhecido como um dos mais relevantes e desafiadores do mundo.
“O mercado hospitalar brasileiro é uma referência mundial. Ele reúne diversas realidades, quase como se fossem vários países em um só. Poder fazer parte do HIS, conversar com essas diferentes realidades, receber feedback e levar isso para o nosso centro de desenvolvimento de produto é uma oportunidade que não encontramos em muitos outros lugares do mundo”, explicou Ghira.
Ela reforça ainda que a experiência também abriu portas para futuras parcerias e oportunidades de negócios. “Conhecemos muitas pessoas, recebemos feedbacks valiosos e, com certeza, coisas boas virão. Será positivo tanto para os negócios quanto para os parceiros com quem temos conversado”, concluiu o empreendedor.
A participação internacional no evento começou na edição passada do HIS, com a Estônia. Para ficar informado sobre as novidades da próxima edição acompanhe o canal oficial do evento, Saúde Business.