A gestão integrada de redes de unidades de saúde visa unificar recursos, práticas, dados e informações para garantir um atendimento mais eficiente, seguro e de qualidade, além de otimizar custos e melhorar continuamente os processos operacionais. Esse modelo muito comum nos Estados Unidos e Europa, passou a ser uma realidade brasileira e a tendência de conglomeração é cada vez maior em nosso país, em especial em estruturas verticalizadas.

Essa integração, conhecida como gestão corporativa integrada (GCI), permite que diversos serviços de saúde, a exemplo de clínicas médicas, clínicas de diagnóstico e hospitais, integrados à rede gestora operem como uma entidade coordenada, utilizando dados e recursos de maneira estratégica para responder de forma eficaz às necessidades dos pacientes e aos desafios operacionais e de mercado.

Benefícios da GCI em hospitais

Há benefícios diretos e indiretos no processo de gestão corporativa integrada de um conjunto de hospitais e isto é uma realidade há décadas nos Estados Unidos e Europa. A gestão individualizada de um hospital torna-se cada vez mais inviável e poderá levar a empresa para a insolvência. O mesmo acontece quando hospitais, mesmo estando sob a gestão corporativa integrada não atuam de tal forma, ao contrário, atuam isoladamente com base na cultura de gestão já instalada. Isto se verifica mais nos processo de fusão e aquisição do que nos processos de crescimento orgânico.

  • Redução de custos e otimização de recursos:
a integração de redes hospitalares permite centralizar compras, gestão de estoques, administração de infraestrutura e outros recursos, o que reduz despesas operacionais. Ao comprar equipamentos médicos, medicamentos, materiais hospitalares, órteses, próteses e materiais especiais (OPME) e demais produtos e serviços em larga escala, a rede pode negociar melhores preços, reduzindo custos e obter um fluxo de pagamento mais adequado, tendo em vista o prazo de recebimento atual por parte das operadoras de planos de saúde e órgão públicos. A alocação de profissionais e equipamentos também se torna mais eficiente, evitando desperdícios e maximizando o uso de recursos humanos e materiais. Uma estratégia também utilizada é a escolha de fornecedores estratégicos de grande porte para as compras dos itens da curva A e curva X. Isto vale para equipamentos médicos, onde é possível negociar melhor os contratos de aquisição e manutenção, como para insumos, em especial os OPME, com compras diretamente das indústrias e com a possibilidade de importação direta pela rede.
  • HUB internacional para importação direta: o Brasil aproveita pouco da logística internacional. Há o exemplo do Panamá que possui algumas zonas livres de comércio, com incentivos fiscais. O País um importante centro de comércio internacional, com atividades de importação e exportação e com uma localização geográfica estratégica. O Canal do Panamá, facilita o transporte de mercadorias entre os oceanos Pacífico e Atlântico, o que faz dele um importante ponto de conexão para as rotas comerciais globais. São cerca de 180 rotas marítimas, com a participação de 170 países, conectando 1.920 portos no mundo. As exportações representam cerca de 36% do produto interno bruto (PIB) do país e os principais parceiros comerciais do Panamá são os Estados Unidos, a China, o México e a Colômbia. As importações representam cerca de 53% do PIB do país e os principais parceiros comerciais do Panamá são os Estados Unidos, a China, a Costa Rica e a Colômbia. Há importantes zonas de livre comércio no Panamá e a maioria das empresas instaladas nestas zonas são de capital estrangeiro. Implantar um centro de importação em uma dessas zonas francas pode ser uma estratégia diferenciada na gestão de suprimentos para altos volumes de compra.
  • Melhoria na qualidade e continuidade do atendimento:
com o compartilhamento de dados clínicos entre as unidades da rede, é possível oferecer um atendimento mais seguro e eficiente ao paciente. Informações importantes sobre tratamentos, histórico de doenças e exames realizados podem ser acessadas por qualquer unidade da rede, o que facilita o acompanhamento contínuo e evita redundâncias, como a repetição de exames desnecessários. Uma estratégia importante se refere aos protocolos clínicos, que devem ser padronizados com base nas melhores práticas e nos guidelines. Uma visão mais ampla de jornada do cuidado tem mais condições de ser desenvolvida e ofertada ao mercado, como uma forma de melhorar o valor da entrega dos serviços e tornar o sistema de saúde mais sustentável.
  • Inovação e modernização de processos:
a gestão integrada facilita o investimento em tecnologia, já que os custos são diluídos pela rede. Sistemas de Gestão Hospitalar, inteligência artificial e análise de dados para prever demandas e ajustar recursos são algumas das inovações que beneficiam diretamente as operações e o atendimento. É inconcebível uma rede atuar com diversos sistemas de informações hospitalares (HIS), pois terá que desenvolver diferentes interfaces de aplicações (API) e enfrentar problemas de cadastro e regras de negócio, que podem minar a segurança e a exatidão dos dados e informações para uma gestão mais estratégica.
  • Capacidade de resposta a emergências e flexibilidade operacional:
em emergências ou aumentos repentinos na demanda, a rede integrada pode redirecionar pacientes e recursos entre as unidades para garantir que ninguém fique sem atendimento. Essa capacidade de mobilização e resposta rápida é fundamental em crises, como a pandemia de COVID-19, que demandou adaptações rápidas nas redes de saúde pública e privada.

Principais áreas de integração

Para que uma rede hospitalar funcione de maneira realmente integrada, é essencial coordenar algumas áreas-chave:

  • Sistemas de informação e tecnologia:
 a tecnologia da informação (TI) é a base da integração em uma rede de hospitais. A governança centralizada deve utilizar o mesmo HIS e garantir que estejam interligados de forma segura, com um forte foco em proteção de dados e cumprimento de regulamentações. Isso inclui a adoção de prontuários eletrônicos padronizados e sistemas de monitoramento e diagnóstico.
  • Gestão de recursos humanos:
uma rede integrada precisa de uma gestão de recursos humanos que permita a mobilidade e o compartilhamento de profissionais entre unidades, especialmente em momentos de alta demanda ou no caso de falta de pessoal em determinadas áreas. A centralização da gestão de recursos humanos permite a padronização de práticas de contratação, desenvolvimento profissional e a alocação de profissionais. Assim, a governança centralizada dessa área facilita a movimentação de equipes entre unidades e promove o desenvolvimento de habilidades essenciais para o atendimento de alta qualidade, além de criar uma cultura organizacional própria e benéfica a todos que compõem o grupo econômico.
  • Logística e cadeia de suprimentos:
o gerenciamento de estoque e a centralização de compras são áreas em que a integração pode gerar grandes economias. Uma logística integrada permite que insumos e equipamentos sejam rapidamente redirecionados para as unidades que mais necessitam.
  • Gestão financeira e contabilidade:
a centralização das finanças permite uma visão mais clara e estratégica das receitas e despesas de toda a rede, facilitando decisões de investimentos e cortes, além de permitir um sistema interno de auditoria mais eficiente.
  • Qualidade e segurança do paciente: essa área é responsável por criar e monitorar protocolos padronizados de qualidade e segurança em todas as unidades. A governança centralizada permite o estabelecimento de padrões uniformes e a implementação de medidas preventivas e de controle, garantindo uma experiência de cuidado consistente e segura para o paciente. Implementar protocolos e padrões unificados de qualidade e segurança em todas as unidades garante que o paciente receba o mesmo nível de atendimento em qualquer local da rede, com impacto na gestão de custos e suprimentos. Outra ação importante está no método de comparabilidade de indicadores entre as diversas unidades, na busca das melhores práticas para o grupo econômico.
  • Compliance e regulamentação:
as redes de hospitais precisam atender a uma série de regulamentações sanitárias e padrões éticos, que variam de acordo com a região e o país. Um comitê de compliance centralizado assegura que as operações de todas as unidades estejam em conformidade com as leis locais e os regulamentos globais de saúde, garantindo uma atuação ética e segura.
  • Planejamento estratégico e financeiro:
o planejamento estratégico integrado dá uma visão de longo prazo à rede, alinhando metas financeiras e operacionais com os objetivos de cuidado. O setor financeiro centralizado oferece uma visão global dos recursos, permitindo que a rede priorize investimentos em tecnologia, infraestrutura e programas de saúde com base em dados de desempenho.
  • Inovação e pesquisa clínica:
uma área centralizada para inovação e pesquisa facilita o compartilhamento de descobertas e o desenvolvimento de novos tratamentos e práticas. Essa estrutura incentiva a colaboração entre unidades e permite que descobertas relevantes sejam rapidamente implementadas em toda a rede, beneficiando diretamente os pacientes.

Inteligência artificial: Potencial e aplicações na Gestão Corporativa Integrada

A inteligência artificial (IA) tem revolucionado a forma como as redes de hospitais gerenciam dados, monitoram pacientes e otimizam processos. No contexto de governança corporativa centralizada, a IA oferece várias aplicações que contribuem para melhorar os resultados operacionais e a qualidade do atendimento.

Para que a integração seja bem-sucedida, é essencial estabelecer uma estrutura de governança que envolva todas as áreas-chave. Além disso, a inteligência artificial (IA) desempenha um papel crescente na melhoria dos processos e resultados, oferecendo suporte valioso para otimização, precisão e previsibilidade. Redes de hospitais na China e na Europa têm sido exemplos de integração bem-sucedida, utilizando tanto práticas de governança corporativa centralizada quanto tecnologias avançadas, incluindo IA. Entre as formas de utiliza a IA de forma produtiva, verificamos: