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Estudo do IDOR destaca queda na taxa de mortalidade de pacientes graves com Covid

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Publicado na Intensive Care Medicine, trabalho relaciona o aumento progressivo no uso do suporte ventilatório não invasivo à redução da taxa de mortalidade

Após pouco mais de um ano de pandemia de Covid-19, as características clínicas e as abordagens de tratamento dos pacientes com a doença evoluíram e, potencialmente, causaram mudanças nos desfechos dos quadros hospitalares com o passar dos meses. Um estudo inédito do Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino, publicado esta semana na Intensive Care Medicine, mostra uma mudança na taxa de mortalidade de pacientes severamente acometidos pela Covid-19, e internados em Unidades de Terapia Intensiva de hospitais brasileiros no período de fevereiro a outubro de 2020 - tempo em que o país enfrentou ao mesmo tempo seu primeiro pior momento da crise sanitária, e também observou uma queda nos índices de casos e mortes, antes da chegada da segunda onda. Neste período, de acordo com o estudo, foi observada uma queda de 42% na mortalidade geral desses pacientes internados, e, dentre aqueles que receberam suporte ventilatório, a redução foi de 36%. O trabalho destaca que o uso da técnica de suporte respiratório não invasivo como primeira medida, ao invés da escolha pela intubação imediata, foi relacionado com a redução no número de mortes de pacientes graves. Os resultados sugerem que o uso de ventilação não invasiva pode ter evitado a intubação e a necessidade de ventilação mecânica, beneficiando pacientes com falência ventilatória. Mesmo naqueles que foram intubados a despeito da tentativa de suporte não invasivo, não houve aumento da mortalidade.

Liderado por Fernando Bozza, médico intensivista e pesquisador do IDOR, o trabalho intitulado "Evolving changes in mortality of 13,301 critically ill adult patients with COVID-19 over 8 months" integra a plataforma de pesquisas "Ciência IDOR contra a COVID", formada por dez frentes de estudos relacionados ao novo coronavírus.

"Entre as maiores contribuições do estudo está a demonstração que a adequação de estratégias assistenciais voltadas para o cuidado do paciente grave com Covid-19, como o uso de esteroides e ventilação não invasiva precoce, é capaz de reduzir a necessidade de intubação e a mortalidade.", destaca Bozza.

Os pesquisadores reuniram dados de 13.301 pacientes com diagnóstico de Covid-19 comprovado por exame RT-PCR, internados em 126 Unidades de Terapia Intensiva de 42 hospitais da Rede D´Or São Luiz distribuídos por oito estados do Brasil.

A partir da análise da evolução da taxa de mortalidade 60 dias após a internação na UTI, e avaliando os perfis clínicos e as estratégias de suporte respiratório utilizadas nos pacientes graves, os pesquisadores concluíram que, ao longo dos oito meses, a diminuição no número de mortes foi resultado da presença de pacientes mais jovens e sem fragilidade entre as internações, além do uso do suporte ventilatório não invasivo como primeira estratégia de auxílio respiratório. O trabalho observa que esta técnica foi progressivamente mais usada ao longo dos meses e a mortalidade hospitalar em 60 dias diminuiu nos dois últimos períodos - junho a outubro.

Para avaliar os diferentes perfis dos pacientes e desfechos clínicos, os pesquisadores dividiram os oito meses destacados para o trabalho em quatro períodos de 60 dias, com base na variação no número diário de mortes nas UTIs: Período 1 - 27 de fevereiro a 25 de abril; Período 2 - 26 de abril a 06 de junho; Período 3 - 07 de junho a 10 de agosto e Período 4 - 11 de agosto a 28 de outubro. Assim, observaram que a taxa de mortalidade diminuiu do Período 1 - 17% - para o Período 4 - 9,6%. Os pacientes nos dois primeiros períodos eram mais velhos e com saúde mais frágil. Considerando-se o uso de suporte ventilatório, o estudo traz um aumento progressivo no uso da técnica não invasiva ao longo do tempo: Período 1 (8,3%), Período 2 (16%) Período 3 (20%) e Período 4 (25%).

"Olhando para o momento atual da pandemia, este estudo mostra que a implementação de estratégias assistenciais baseadas em evidências científicas sólidas são essenciais para reduzir a mortalidade dos pacientes graves", finaliza o pesquisador.

Ciência IDOR Contra a COVID

O Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) lançou o Programa "Ciência IDOR Contra a COVID" em 2020. Liderada por pesquisadores e médicos de diferentes especialidades, a iniciativa tem dez frentes de estudos científicos. As pesquisas vão desde o entendimento do comportamento do vírus, teste de drogas que possam neutralizá-lo ou reduzir seus efeitos, estudos clínicos em pacientes oncológicos e com problemas cardiológicos, estudos com terapia celular, monitoramento inteligente de dados epidemiológicos e intervenções digitais visando a saúde mental e bem-estar.

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