Algumas doenças se desenvolvem de maneira silenciosa. Quando descobertas, já estão em estado avançado, o que torna seu tratamento mais difícil e doloroso. Processo semelhante está ocorrendo entre os hospitais privados no Brasil, como revela levantamento da Federação Brasileira de Hospitais e da Confederação Nacional de Saúde a partir de dados do Ministério da Saúde. Entre 2010 e 2018, sem que o fato merecesse qualquer manchete, foram fechados 1.797 hospitais privados e eliminados 31.453 leitos. Os números são um alerta para a crise que tem corroído parte importante da infraestrutura do sistema brasileiro de assistência à saúde.

 Ainda que tenham sido abertos hospitais ao longo do período, o saldo final é de 430 estabelecimentos a menos, uma redução de 9%. O desmanche atingiu em especial a parte menos proeminente do mercado, motivo pelo qual tenha até aqui passado desapercebido. A crise vitimou os hospitais com fins lucrativos (71% do total de estabelecimentos fechados) instalados fora das grandes capitais (68%) e de menor porte (68% com menos de 50 leitos). Do total, 66% eram hospitais gerais e 52% atendiam também ao SUS.

Uma hipótese para o caso seria a realocação de recursos ou a concentração de mercado. As evidências, no entanto, apontam para uma redução líquida da capacidade instalada, em especial para procedimentos de alta e média complexidade. Tanto assim que houve no período queda de 10% no total de leitos privados.