Na etapa final do Healthcare Innovation Show 2026 (HIS), o evento reuniu especialistas, executivos e autoridades para debater os rumos da transformação da saúde. Entre os eixos centrais da programação, sobressaem a cooperação internacional com foco no modelo português de inovação, a gestão de saúde mental e risco operacional na indústria, o impacto das apostas digitais no sistema sanitário e as estratégias colaborativas para a redução de infecções hospitalares no SUS.
“A edição de 2026 consolida o HIS como um espaço fundamental para a troca de conhecimentos, o fortalecimento de redes e a geração de negócios que impulsionam a saúde no país. A maturidade dos debates e o engajamento dos congressistas refletem a urgência de soluções integradas para o setor. Em 2027, traremos ainda mais novidades e caminhos para acelerar a inovação de ponta a ponta na cadeia assistencial”, declarou Juliana Vicente, diretora do Portfólio de Saúde da Informa Markets, organizadora do evento.
Cooperação para acelerar a inovação em saúde
A participação de Portugal como país convidado de honra pautou os debates sobre parcerias internacionais e descentralização da assistência.
A comitiva portuguesa, integrada por Francisco Catalão, secretário de Estado da Gestão da Saúde de Portugal, e Hugo Pinho, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), detalhou os avanços no modelo de hospitalização em casa, além do uso de inteligência artificial e fisioterapia remota no Serviço Nacional de Saúde (SNS) para potencializar a atuação das equipes médicas sob governança ética.
“Recebemos essa distinção como reconhecimento da crescente proximidade entre os nossos ecossistemas de saúde, inovação e conhecimento, mas também como uma oportunidade para aprofundarmos um diálogo que entendemos ser particularmente relevante no momento de transformação acelerada dos sistemas de saúde à escala global”, afirmou o secretário.
A experiência da Gerdau com saúde mental
As estratégias corporativas para a preservação do bem-estar e a mitigação de acidentes ganharam destaque na programação do painel “HISx: Saúde Mental como risco operacional, com o case Gerdau”. A palestra abordou a linha de cuidado contínuo e a gestão de riscos psicossociais, com foco na diferenciação entre perigos ambientais e pressões individuais.
“O desempenho de uma organização é a soma do rendimento de cada pessoa. Para alcançar bons resultados, é preciso estar bem. Cuidar das pessoas é fazer o certo. O cuidado com o bem-estar faz parte fundamental da nossa cultura e consiste em premissa para a sustentabilidade do negócio em qualquer área, principalmente a saúde, que envolve grandes cadeias de processos”, ressaltou Mariana Calazans Drager, especialista de Bem-Estar Corporativo na Gerdau.
A pressão das bets no sistema de saúde
Os impactos do crescimento das apostas eletrônicas sobre a saúde mental e financeira da população pautaram a discussão do “Painel: All-in na saúde e os impactos das Bets pressionando por soluções coordenadas”. Sob moderação de Fernando Aith, professor titular de política, gestão e saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP, a mesa reuniu Fábio Nogi, superintendente de Inovação da Seguros Unimed, e Claudia Ruggiero Longhi, diretora da divisão de saúde mental da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.
O debate evidenciou a equiparação entre os mecanismos neurobiológicos do jogo compulsivo e a dependência química e destacou o aumento da demanda causado pelo vício.
“Aposta não é investimento, é jogo de azar. O avanço das bets gera reflexos diretos na saúde mental da população e transfere esse custo social para a rede assistencial. Precisamos de uma regulação rígida sobre a publicidade, que atinge públicos cada vez mais jovens, ações de prevenção integradas e o direcionamento da tributação do setor para custear o tratamento de pacientes e fortalecer o SUS”, destacou Claudia Ruggiero Longhi, diretora da Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.
Estratégias colaborativas reduzem infecções em UTIs
A segurança do paciente e a qualidade assistencial também integraram a programação do evento com a apresentação do case “Saúde em Nossas Mãos”, conduzida por Cristiana Martins Prandini, coordenadora de projetos no Hcor.
A iniciativa do Ministério da Saúde, executada no âmbito do PROADI-SUS, busca reduzir as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) em UTIs do SUS em todo o país. O projeto atua por meio de uma estratégia colaborativa focada em mudança cultural e engajamento coletivo.
“O envolvimento ativo dos profissionais e a transformação de comportamentos nas rotinas de assistência impactam diretamente os indicadores de segurança do paciente. Essa mobilização contínua reduz infecções hospitalares e constrói um ambiente de cuidado mais seguro e sustentável nas UTIs do SUS em todo o país”, explicou Cristiana.
Desafios do próximo ciclo de governo para modernizar a saúde
As diretrizes para o futuro da saúde brasileira e a urgência de uma gestão integrada pautaram o debate no ‘Painel: Os desafios do próximo ciclo de governo para a modernização dos sistemas de saúde’. Sob moderação de Edson Soares, vice-presidente da AHOSP, o evento reuniu Anis Mitri, presidente da AHOSP, Vitor Ferreira, CIO da ABCIS, e Walter Feldman, Médico e Especialista em Gestão da Saúde.
A discussão enfatizou a necessidade de resgatar o planejamento de longo prazo, aprimorar a coordenação do Ministério da Saúde sobre o financiamento público, superar entraves políticos nas emendas parlamentares e utilizar a inteligência artificial e a conectividade para consolidar linhas de cuidado contínuas no SUS e na saúde suplementar.
“O SUS é um patrimônio extraordinário e único no mundo, mas precisamos retomar a capacidade de diálogo interinstitucional e o planejamento de longo prazo. A revolução tecnológica dos próximos anos vai transformar a medicina de forma brutal e o sistema só responderá com eficiência se fortalecer a prevenção, organizar o financiamento tripartite e colocar a tecnologia a serviço do acompanhamento real da jornada do paciente”, defendeu Walter Feldman, médico e especialista em gestão da saúde.