Primeiramente, esqueça tudo, ou quase tudo, que você sabe sobre métricas e finanças na gestão de negócios. Se você é um empreendedor com experiência em tecnologia e já não conhecia economia mesmo, melhor ainda. Se você é um investidor pronto pra se aventurar em tecnologia, é leitura obrigatória. Se você, só de ler a palavra finanças ou métricas já sentiu arrepios, não desista e lembre de pelo menos uma coisa: Desenhar, gerir e fazer crescer negócios digitais baseados em nuvem (aquelas soluções que você acessa pela web e não tem nada instalado, além do app, sabe? Netflix, facebook, cia) é muito diferente de produzir e vender mamão, colchão, papel ou sushi.

Sendo assim, será que devemos usar os mesmos métodos e medidas aplicados à estes negócios para fazer a gestão ou avaliar produtos e serviços baseados em nuvem? Segundo um dos maiores e mais exitosos fundos de Venture Capital do mundo, a Bessemer Venture Partners (veja portfolio), a resposta é um categórico: Não!

No breve, e rico, período no qual tive oportunidade de trabalhar neste fundo, tive contato com um artigo seminal publicado por eles em 2012, infelizmente até hoje sem tradução para o português (leia na integra aqui), no qual são elencadas as 10 leis do “Cloudconomics”, por mim pifiamente traduzido em “Economia da Nuvem”. Trago aqui um breve resumo deste trabalho, acrescido de comentários baseados na minha própria experiência com produtos digitais, investimento de risco e some other cool things como essas.

#1 – Beba o seu próprio champanhe – Isto é uma metáfora, ok? Significa que se você é um negócio baseado na nuvem e software como serviço, você deve usar outras soluções na nuvem para a gestão do seu próprio negócio. Exemplos (de cá e de lá): @ContaAzul, @Dinamize, @Slack, @MindMeister, etc.

#2 Construa o software para o usuário – Reconheço que isso é um tanto quanto óbvio e genérico, mas em essência significa que: Os clientes deixarão de contratar sua solução caso você não capture todos os possíveis e imagináveis casos de uso e necessidades daquele negócio no seu produto? Não, desde que possa oferecer em troca: implementação rápida, descoberta progressiva e melhorias contínuas.

#3 Morte da Suite: viva a melhor solução, ou até funcionalidade, para cada tarefa específica – Passou o tempo em que o objetivo era ter uma solução que faz tudo: gestão de contas a receber, e-mail marketing, controle de estoques e gestão de projetos, além de servir cafezinho. O nível de sofisticação das soluções hoje fazem com que o ideal seja se focar em resolver um problema específico (como os que mencionei acima, incluindo o cafezinho) muito bem. Se sobrar tempo, ataque outros problemas correlatos, mas isso provavelmente não acontecerá nos próximos 05 anos.