Especialista explica que a doença tem forte influência hereditária. Por isso, familiares devem fazer a dosagem da glicemia com mais frequência, para um diagnóstico precoce

Em 14 de novembro é comemorado o Dia Mundial do Diabetes. As estatísticas de incidência da doença são alarmantes. De acordo com o Ministério da Saúde, o diabetes afeta cerca de 246 milhões de pessoas em todo o mundo. Já no Brasil, 5,2%, da população adulta (acima de 18 anos), mais de seis milhões de pessoas, são diagnosticadas com a enfermidade.

Muitas pessoas ainda não sabem ao certo o que é o diabetes e quais são os tipos da doença. Prova disso é a pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), realizada com 1.106 pessoas, de 18 a 60 anos, nas capitais Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. O estudo revelou que 34% dos entrevistados não sabiam que tipo de diabetes tinham.

O endocrinologista do laboratório Pasteur, Dr. Sérgio Vencio, explica que a doença é decorrente da falta de insulina produzida pelo pâncreas, ou de uma dificuldade na sua ação, o que causa o aumento da glicose (açúcar) no sangue. Ele acrescenta que existem dois tipos de diabetes. “No diabetes tipo 1, o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina, devido a um defeito do sistema imunológico, fazendo com que os anticorpos ataquem as células que produzem esse hormônio. Não se sabe exatamente a causa do início deste processo, mas pesquisas indicam fatores genéticos, vírus, dentre outros”, esclarece.

O diabetes tipo 2 é resultado de um mecanismo duplo, pois existe tanto uma resistência à ação da insulina nas células do organismo quanto uma redução progressiva da produção de insulina pelo pâncreas. “Este é o tipo mais comum do diabetes, representando cerca de 90 a 95% dos casos. Além disso, o início é mais frequente na idade adulta, porém com a epidemia de obesidade em todo o mundo, a incidência em crianças é cada vez mais comum”, ressalta Dr. Sérgio.

O médico acrescenta que o diabetes tipo 2 está associado ao excesso de peso, à vida sedentária, idade avançada, além de ter forte influência hereditária. Ou seja, filhos de pais diabéticos devem fazer a dosagem da glicose no sangue com mais frequência, a fim de diagnosticar a doença precocemente.