Na linha da equidade de acesso, os debates sobre o cancer do ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva ainda não é tema concluído…. até porque ele segue em tratamento e novos aspectos se abrem e vão entrar em pauta.
Recebo a contribuição, que reproduzo abaixo, do colega radioterapeuta Dr. Marcos dos Santos, brasileiro atuando no Institute Gustave Roussy, em Paris, França.
“Caro Stephen
Temos todos acompanhado, independente de inclinações ideológicas, com algum grau de inquietude, o desenrolar do tratamento de um câncer de laringe que acomete o cidadão Luis Inácio Lula da Silva. O diagnóstico tinha o potencial, logo comprovado, de ter relevância política, e repercutiu na internet: Lula, trate-se no SUS! Trata-se, à parte a política, de uma oportunidade interessante para aprofundar-nos na situação atual daquele que será o principal tratamento a que se submeterá nosso Ex-Presidente. Que me perdoem meus amigos oncologistas, mas a despeito da pesada quimioterapia de indução, o prato-principal, a estrela da noite será, sem duvida, a radioterapia.
No começo da década de 90 começava a disseminar-se, de maneira consistente, o que conhecemos como radioterapia conformacional (ou 3D). Antes dela, os ?alvos? do tratamento radioterápico, os tumores e os gânglios linfáticos, eram localizados a partir de raio-X. Como, neste tipo de imagem, vemos essencialmente estruturas ósseas, a posição do tumor era determinada a partir do osso mais próximo. Com todas as incertezas que essa técnica pressupõe. A radioterapia 3D apareceu quando iniciou-se a localização dos alvos à partir de exames de tomografia. Depois disso (la se vão quase vinte anos!) outras evoluções apareceram. E a grande estrela desse novo grupo é a radioterapia de intensidade modulada; em inglês: IMRT. Através desta técnica, modula-se, ou seja, altera-se a intensidade de um feixe de radiação durante a sua aplicação. E, fundamentalmente, diminui-se a dose aplicada nos tecidos sadios.
E qual é, então, a situação atual da radioterapia para tumores de laringe no SUS? Teria o nosso Ex-Presidente disponível o melhor tratamento, caso decidisse tratar-se pelo nosso sistema público?