O gerenciamento dos processos relacionados a medicamentos em uma instituição de saúde é uma tarefa complexa que abrange várias etapas. Essa responsabilidade deve ser compartilhada com todos os profissionais de saúde que prestam assistência ao paciente: médicos, farmacêuticos, enfermeiros, técnicos de farmácia, técnicos de enfermagem, inclusive, o próprio paciente. Todos devem ser capazes de desenvolver e executar suas funções em seus locais de atuação, de forma consistente, tanto no cuidado aos pacientes internados, como também aos pacientes externos ou em unidades especializadas.

Desde o armazenamento e dispensação até à administração do medicamento, vários processos estão interligados e precisam ser executados adequadamente para garantir a qualidade e a segurança do cuidado. É preciso atenção redobrada, pois erros de medicação podem ocorrer em qualquer dos processos que fazem parte do circuito de medicamentos (prescrição, transcrição, dispensação, preparação e administração).

Apesar de todo esforço empreendido na busca da segurança do paciente, os erros de medicação e suas consequências representam um grave problema e um grande desafio a ser vencido no Brasil e em todo o mundo. Estudos apontam para a incidência de danos causados aos pacientes em decorrência da não observação de processos padronizados (Relatório “To Err is human: building a saferhealthcare system, Kohn, Corrigan, Donaldson, 2000).

Recentemente, a imprensa notificou um fato ocorrido em hospital do Paraná em que cerca de 50 servidores do hospital receberam doses de insulina no lugar de vacina contra o vírus H1N1, após a enfermeira confundir as ampolas. Várias pessoas foram internadas por apresentarem reações à insulina. A falha foi identificada pela própria servidora logo após a aplicação. A enfermeira está grávida e também aplicou insulina nela própria, por engano. A administração do hospital diz que a servidora afirmou que se confundiu com as embalagens, que são parecidas. Um processo administrativo foi aberto para investigar as responsabilidades.

Casos como esse têm ocorrido com frequência. Como podemos evitar incidentes dessa natureza? Que ações podem ser implantadas para impedir a ocorrência de erros ou diminuir a sua probabilidade?

O Manual de Acreditação da Joint Commission International (JCI), em seu primeiro capítulo apresenta as Metas Internacionais de Segurança do Paciente. A Meta 3 apresenta as diretrizes para melhorar a segurança dos medicamentos de alta vigilância, considerados como aqueles que podem causar danos mais graves ao paciente quando administrados por engano. Nesse grupo estão incluídos os anticoagulantes, quimioterápicos, antiglicemiantes, hipoglicemiantes, eletrólitos concentrados e também medicamentos com embalagem semelhante e/ou nomes que soam parecidos (medicamentos LASA – look alike/sound alike).