Estima-se que 6,7% dos pacientes internados sofrerão algum tipo de evento adverso relacionado à medicação, de acordo com o Journal of the American Medical Association. Fora do ambiente hospitalar, os efeitos adversos ou colaterais responderam por quase 60 mil internações no Brasil entre 1998 e 2013, segundo o Ministério da Saúde.
Com o crescimento das multimorbidades relacionadas às doenças crônicas, o que exige a utilização de um número cada vez maior de medicamentos, o problema tende a se intensificar se não houver uma análise precisa das condições do paciente e se não for feita a reconciliação medicamentosa, que evita interações nocivas entre diferentes drogas.
Nesse contexto, ferramentas de inteligência clínica coletam, armazenam e gerenciam dados para sugerir condutas e apoiar a prescrição médica. “Hoje, as organizações de saúde estão, mais do que nunca, buscando meios de dar sentido a todos os dados do paciente disponíveis eletronicamente, e para usar e tomar as melhores decisões possíveis, tão rápido quanto possível. (…) Empoderar profissionais com as ferramentas de uso de dados para garantir decisões mais informadas está se tornando uma prioridade nas organizações de saúde”, diz a Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS – Sociedade de Informações de Saúde e Sistemas de Gestão).
Nos hospitais, esses sistemas utilizam dados do prontuário eletrônico, indicadores vitais fornecidos por equipamentos e estatísticas gerais de atendimento e epidemiologia para identificar padrões que auxiliem o diagnóstico e sugerir condutas baseadas em evidências. Isso ajuda a definir protocolos e padronizar o atendimento.
A inteligência clínica também cria alertas sobre riscos assistenciais, considerando as intervenções a que o paciente foi submetido, medicamentos que irá tomar durante a internação e sua condição geral de saúde.