A prevalência de dor crônica em pacientes em tratamento de diversos tipos de câncer varia de 30 a 40%, podendo chegar a índices de 70% a 90% nos casos avançados da doença – sendo que cerca de 75% desse último grupo se queixa de dores moderadas ou intensas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), atualmente, mais de 8 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com esse problema.

Um estudo recente, realizado na Europa com cerca de 5 mil pacientes, demonstra que mais de 70% deles apresentam algum tipo de dor relacionada à doença – porcentagem que pode chegar a 90% em casos de cânceres pancreáticos, cerebrais e ósseos. A dor foi descrita como angustiante por 67% dos entrevistados, sendo que poucos mais de um terço a classificou como algo que os fazia sentir vontade de morrer.

 Nesse mesmo levantamento, 573 pacientes foram questionados sobre como seus médicos e outros profissionais de saúde tratavam sua dor. Metade dos entrevistados sentiam que ela não era vista como parte integrante dos cuidados gerais, sendo que 25% achavam que seu médico não sabia controlá-la, ou mesmo perguntar sobre ela, e 12% acreditavam que o médico não a via como um problema.

Para Andrea Naves, oncologista e diretora médica da Mundipharma, é fundamental que o médico esteja atento às características da dor para indicar a forma mais adequada de tratá-la. “Quando é aguda, ela pode indicar uma fratura decorrente de uma metástase óssea, compressão da medula espinhal ou dos nervos ou obstrução visceral devido ao crescimento do tumor, podendo ser agravada quando existe algum tipo de infecção ou quando o paciente é submetido à quimioterapia e radioterapia. Já a dor crônica pode ser causada pelos tratamentos com radioterapia e quimioterapia, além das dores decorrentes de artropatias e dores musculoesqueléticas”.