Um estudo feito em parceria entre o Centro de Estudo de Genomas da USP e a Operação Sorriso (OS), realizado nas cidades que receberam os programas humanitários da ONG, mostrou que o fator genético foi predominante em grande parte dos pacientes com lábio leporino e/ou fenda palatina, atendidos na cidade de Santarém, no Estado do Pará. Por isso, é lá que, mais uma vez, a equipe médica voluntária da OS desembarca para a realização de cerca de 60 cirurgias corretivas gratuitas em pacientes de todas as idades com o problema. A seleção dos pacientes acontecerá no dia 02 de dezembro, a partir das 8h, na Casa da Criança (Av. Barão do Rio Branco, 860 — Bairro Santa Clara). Já as cirurgias serão realizadas entre os dias 04 e 07 de dezembro, no Hospital e Maternidade Sagrada Família (Av. Presidente Vargas, 1.606 — Bairro Santa Clara). Pacientes de outras cidades também podem participar.
“Os nossos resultados sugerem uma importante contribuição genética para a ocorrência das fissuras nesta região. Mas ainda não foi identificado um marcador genético de predisposição à fissura labiopalatina. Mais estudos são necessários para que possamos desenvolver testes genéticos ainda mais eficientes e que possam ser aplicados nas famílias com, pelo menos, uma criança com fissura”, diz a Dra. Maria Rita Passos Bueno, geneticista, coordenadora do Laboratório de Genética da USP e uma das responsáveis pelo projeto, destacando que esta é a sétima missão da OS em Santarém.
Para participar da seleção não será necessário fazer inscrição prévia, apenas comparecer ao local nos dias indicados levando documentos de identificação do paciente e também do responsável. Caso tenha, também deve trazer exames de sangue recentes (realizados há seis meses ou menos). Pacientes e mais um familiar que residam fora do município poderão solicitar por hospedagem gratuita no dia da avaliação. A organização também oferecerá transporte do alojamento até o hospital e alimentação sem custo.
“Montamos uma estrutura logística enorme para garantir a melhor qualidade no atendimento, nas cirurgias e no pós-operatório dos pacientes. São pessoas que viajam horas para conseguir essa oportunidade, pedem ajuda a família ou amigos e superam desafios enormes para conseguir o direito de sorrir. Todo esforço que fizemos para dar a uma criança o direito de sorrir e crescer com dignidade vale a pena”, afirma Jocilvan Pedroso, médico que coordena as atividades da ONG em Santarém.
Ao todo, 50 voluntários de onze estados do Brasil, Paraguai e Suécia estarão envolvidos no programa humanitário de Santarém. Os colaboradores — muitos deles referências em suas áreas de atuação — pertencem a diferentes especialidades, como cirurgia plástica, enfermagem, anestesia, psicologia, ortodontia, fonoaudiologia, pediatria, entre outras. “A ideia é operar e capacitar os centros locais. As crianças que não forem atendidas serão encaminhadas para o serviço público local, atingindo a população com resultados mais permanentes”, enfatiza o anestesista Roberto Freire, diretor médico da Operação Sorriso.
Desde 2007, já foram realizadas mais de oito mil consultas em quase mil pacientes. Mais de 300 pessoas foram operadas e mais de 500 procedimentos cirúrgicos foram feitos durante os programas humanitários no Pará. A Operação Sorriso conta com o apoio da Marinha do Brasil, da Secretaria Estadual de Saúde de Pará, da Secretaria Municipal de Saúde de Santarém, do Ministério Público do Pará, da Associação Brasileira de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial (ABCCMF), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), do Projeto Genoma Humano, da Casa da Criança e do Hospital e Maternidade Sagrada Família. Além disso, entre os patrocinadores estão as empresas Abbott, Ethicon, QLL, Schivartche Advogados, Colgate, Enox, American Airlines, White Martins, Approach Comunicação Integrada, Icatu Seguros, CitiEsperança, Bionexo, Comerc, Pepsi, Fnazca, Way Models e PRNewswire. Veja a lista completa no site www.operacaosorriso.org.br