A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua divulgada em setembro deste ano pelo IBGE, apresentou dados populacionais interessantes para uma reflexão sob a ótica dos sistemas público e privado de saúde.

A população brasileira atingiu 212,7 milhões de indivíduos em 2021 e representou um crescimento de 7,6% em relação a 2012. Neste período, o segmento de pessoas com 60 anos ou mais apresentou uma elevação de 11,3% para 14,7% da população total. Em termos absolutos, este segmento etário passou de 22,3 milhões para 31,2 milhões de pessoas, com um crescimento de 39,8%. Neste período, a população de 0 a 29 anos decresceu de 49,9% para 43,9% e a faixa etária de 30 a 59 anos cresceu de 38,8% para 41,4%. Verificamos no Brasil, um fenômeno que ocorre em muitos países, redução da taxa de natalidade associado ao aumento da expectativa de vida da população, que resulta no processo de envelhecimento populacional.

As Regiões Sul e Sudeste possuem as maiores concentrações de idosos, respectivamente, 16,6% e 16,2%. A tendência desta curva populacional é de aceleração positiva e estima-se atingir uma taxa próxima de 30% da população brasileira, em 2060, enquanto a faixa de 0 a 29 anos poderá decrescer para 15%.

O envelhecimento populacional apresenta muitos desafios e exigirá mudanças em diversos setores, incluindo o setor da saúde. Segundo a ANS, a faixa de maior prevalência de beneficiários de planos de assistência médica é a de 30 a 39 anos. Imagine o efeito de uma onda, onde esta prevalência subirá gradativamente para as faixas com maior idade, ou seja, 40 a 49 anos e 50 a 59 anos e reduzirá a participação, também gradativamente, nas as faixas de 0 a 9 anos, 10 a 19 anos a 20 a 29 anos.

Ainda segundo a ANS e com base no CID-10 (o CID-11 já foi lançado em 2022), as três principais causas de internação de idosos em hospitais privados, que atendem à saúde suplementar são: neoplasias, doenças do aparelho circulatório e doenças do aparelho digestivo.

Em 2016 a ANS lançou o Programa Idoso Bem Cuidado. Este projeto contempla uma atenção específica para este segmento da população e tem a proposta de melhorar a assistência sob a ótica da coordenação do cuidado. O mesmo caminho foi seguido pela maioria das operadoras de saúde suplementar, responsáveis e orientadas para a sustentabilidade de suas atividades no longo prazo.