Os hospitais são responsáveis por 10% da utilização comercial de água e energia no Brasil, segundo o Instituto Green Hospitals. Esse percentual já é motivo de sobra para impulsionar seus gestores a serem agentes protagonistas, ainda mais nos dias de hoje, em que algumas cidades do Brasil vivem a maior crise hídrica da história. Além disso, uma empresa que investe em relatório de sustentabilidade tem predileção no interesse de investidores e larga na frente em processos licitatórios.

Segundo o Global Report Iniciative (GRI), há em todo o mundo 16,1 mil relatórios de sustentabilidade em 2014. Deste total, apenas 28 foram elaborados por empresas do setor de serviços de saúde e 31 por fabricantes de produtos para cuidados da saúde. Esses dados revelam o quão o sistema de saúde está atrasado em relação à premissa da competitividade.

Os relatórios de sustentabilidade têm potencial para tornarem-se instrumentos de comparação, ano pós ano, estimulando os envolvidos em sua cadeia a também adotarem esta prática. Esses documentos ajudam a identificar riscos ambientais, econômicos e sociais que podem prejudicar futuramente os negócios. Também são fundamentais para a geração de soluções para problemas como altas emissões de CO2, descarte incorreto de resíduos e desperdícios de água e energia.

Mas apenas produzir um relatório não basta. É necessário apresentar conteúdo genuíno. Muitos documentos trazem apenas aspectos positivos, o que demonstra fragilidade, já que não existe organização sem pontos fracos a melhorar. Outro lastro é a ausência de verdade no que é descrito, projetos e atividades que não funcionam na prática, ou que são apenas um discurso retórico.

É claro que temos de considerar que a indústria da saúde tem debaixo dos braços uma variedade de desafios vigentes e que ainda precisam ser digeridos por muitas organizações. Questões como regulação mais rigorosa, intensificação das práticas de cuidados, avanços tecnológicos de alto custo, implementação de padrões de qualidade internacional e intervenção da sociedade fazem dessa indústria uma das operações mais complexas. Mas é exatamente aí que o relatório pode destacar a performance de maneira transparente e auxiliar no desenvolvimento do setor.

Hospiatais brasileiros como Einstein e Sírio Libanês, já produzem relatórios há alguns anos, e podemos perceber o quanto a gestão sustentável tem trazido de benefícios. No parecer de 2013, o Sírio Libanês destacou ganhos com seu investimento em edifícios verdes: economia de 40% no consumo de energia convencional para aquecimento de água, por meio da utilização conjunta de sistema solar, bomba de calor, gás natural e energia elétrica. Já o Einstein, no ano de 2012, adquiriu dois redutores de resíduos orgânicos, capazes de processar cerca de 800 quilos de lixo por dia, e mais dois equipamentos de autoclave para tratar 3,3 toneladas de resíduos infectantes produzidos diariamente.