Em janeiro desse ano tivemos um anúncio interessante relacionado a saúde digital. A IBM Watson [1] e a Medtronic [2] anunciaram na última CES em Las Vegas um protótipo de uma “app” em smartphone para “predizer” quando um paciente diabético vai ter hipoglicemia três horas antes desse evento ocorrer. A “app” irá manipular dados em tempo real das bombas de insulina e dos glicosímetros (medidores do nível de glicose), combinando eles com informações contextuais, e analisando-as para fazer a referida “predição” de hipoglicemia [3].

Existem alguns pontos muitos importantes por trás dessa aplicação:

(a) o uso do smartphone será cada vez maior na área de saúde. No futuro a monitoração de uma pessoa usando um smartphone pode gerar 10 milhões de dados por dia (p. ex., pressão, batimento cardíaco, temperatura da pele, etc) segundo o investidor Vinod Khosla [4]. Ele também acha que teremos “saltos” a cada de 2 anos para as novas gerações de algoritmos de saúde em smartphones de 2015 (versão 0) até 2029 (versão 7) [5]. Muita “gente” acredita que “o futuro da medicina está (ou estará) no seu smartphone” [6] mas ainda não é muito claro como essa assertiva caminhará na direção da massificação (na minha opinião) e alcançará as camadas mais pobres da população. No dia que isso acontecer – não tenha dúvida – o smartphone terá um grande sucesso na saúde! Aqui temos algumas ideias das atividades efetuadas com smartphones no segmento de saúde [6.1 – 6.3];  

(b) a tecnologia “wearable” [6.4] será muito importante na transformação da saúde pois será através dela que mediremos parâmetros vitais de saúde e/ou bem estar das pessoas (ou pacientes) e os levaremos para processamento pelos smartphones. A manipulação dos dados primários coletados pelos dispositivos “wearable” serão muito importantes para a saúde das pessoas [7] e [8]. Um grande problema aqui é a preocupação que os dados de pacientes não sejam utilizados para outros fins [9]. Esse é um ponto que ainda terá vários desdobramentos. O mercado de “wearables” alcançará 10,7 BUS$ em 2023 [9.1];

(c) os dados dos pacientes obtidos pela tecnologia “wearable” serão fundamentais para efetuar análises preditivas (big data) [10] sobre diversas condições clínicas dos pacientes. Esses dados serão capturados pelos smartphones que age como um “gateway” de dados e enviado para armazenamento em uma estrutura de “cloud”. A partir daí, serão executados os algoritmos de análise preditiva (big data). Os dados podem comandar achados importantes que possibilitarão a descoberta de “padrões” nos dados clínicos e algoritmicamente permite a criação de novos procedimentos clínicos. Segundo Vinod Khosla [4] “os dados coletados podem fazer a diferença e “dentro” dos dados nós temos resultados impressionantes”. Os algoritmos de “big data” serão muito importantes na Prevenção de Saúde de diversas doenças crônicas pois – com o aumento cada vez maior da expectativa de vida da população – estas doenças serão cada vez mais críticas nos orçamentos de saúde das operadoras de saúde e dos governos. Por exemplo, aqui temos uma boa oportunidade de monitorar e atuar sobre a prevenção da diabetes Tipo 2 que acomete 7% da população brasileira e existe a expectativa de atingir a 15% da população nos próximos 10 anos [11].

O analista de indústria Ernst Young considera as tecnologias smartphone, “wearable” e big data fundamentais para enfrentar o aumento dos custos que saúde vem enfrentado em função do aumento da incidência das doenças crônicas [11.1] entre outras razões. Essa combinação também pode ajudar nas morbidades não-comunicáveis (entre elas, diabetes, hipertensão e doença cardíaca) que hoje representam 75% do orçamento da saúde. Veja a lista delas aqui [11.2].