Em época de final de ano, estação das festas, além das tradicionais promessas de ano novo, é muito comum reclamarmos de cansaço e estresse. Volta e meia ouvimos alguém dizer: “estou com burnout”.
Independentemente do nosso nível de cansaço e estresse, fato é que, para nós profissionais da saúde, nenhum estudo precisaria ser feito para dizer algo que sentimos diariamente: cansaço e estresse têm relação íntima com a qualidade do cuidado que prestamos.
Obviamente não estamos todos com burnout. Mas devemos nos preocupar.
Estudo recente para avaliar a prevalência em médicos residentes no Hospital de Clínicas de Porto Alegre mostrou que 8 em cada 10 residentes que responderam ao questionário tinham burnout (BOND et al., 2018). Não somente médicos, mas também os profissionais da saúde que lidam mais diretamente com o paciente estão com taxas cada vez mais elevadas de burnout (LYNDON, 2015; National Academy of Sciences, Engineering and Medicine, 2019).
| Burnout é um fenômeno complexo que está relacionado com questões ocupacionais e profissionais (OMS, 2019). Christina Maslach, uma das pesquisadoras que mais estuda o assunto, define Burnout como “uma resposta prolongada a estressores crônicos emocionais e interpessoais no trabalho, definida por três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização profissional”. (MASLACH; SCHAUFELI; LEITER, 2001). |
E cabe aqui ainda outro lembrete: não ter burnout não significa bem-estar profissional. Quando se fala em bem-estar profissional é comum a relação com burnout também por ele ser a medida inversa mais conhecida (PANAGIOTI et al., 2018).