Foi noticiado na semana passada o boicote de médicos no Estado de São Paulo a 10 planos de saúde, com o objetivo de forçar a revisão dos valores de consulta em consultório. O descredenciamento coletivo foi levado em consideração, mas, em nome do beneficiário, não foi acatado.

Muito bem. Posso até entender que o descredenciamento coletivo poderia penalizar o usuário, e de fato, mais uma vez, seria ele o maior prejudicado.

Mas vamos ser coerentes. 

Há quanto tempo se discute isso? Já não foi dado tempo demais para que se chegasse a uma posição definitiva a respeito do assunto? Médicos recebem pouco das operadoras há 20 anos. Esses argumentos são repetidos à exaustão ano após ano, e a nossa classe não se posiciona. Todos concordam que está ruim, mas ninguém quer “largar o osso”. E o beneficiário acaba sendo prejudicado de um jeito ou outro, na medida em que é preterido nos agendamentos dos consultórios, sua consulta (salvo honrosas exceções) é desatenciosa, não atende à expectativa do usuário e muitas vezes tem impacto zero na resolução do problema que motivou a sua demanda.

Todos conhecem bem a peregrinação dos pacientes pelos consultórios, tentando resolver às vezes um único problema. Quando vence essa fase, é a operadora que lhe nega o exame, o tratamento caro, o procedimento, a internação.

Vamos parar com isso! Já está na hora de impor limites, não atendendo através de tabelas de operadoras pelo menos as consultas em consultório!