A união entre grandes grupos de Saúde se tornou recorrente nos últimos tempos: foram 60 fusões e aquisições em 2020, com valores que superam US$ 1 bilhão (mais de R$ 5 bilhões), segundo levantamento realizado pela RGS Partners, boutique nacional de fusões e aquisições. E 2021 promete apresentar números ainda maiores, já que muitos negócios que começaram em 2020 estão sendo concluídos neste ano, como é o caso da fusão do Grupo NotreDame Intermédica com a Hapvida, que criou a maior rede própria de Saúde do Brasil para atender distintos mercados.
Tanto as fusões como o avanço das aquisições são parte estratégica do modelo de verticalização que acontece no setor da Saúde, com grandes redes hospitalares comprando hospitais menores e familiares, com dificuldades financeiras, como é o caso da Rede D`Or, que já possui mais de 40 hospitais próprios no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco e Sergipe, além do Distrito Federal. Ou do Grupo Dasa, resultado da união entre a Rede Ímpar de hospitais e o laboratório Dasa, e que agora também está realizando aquisições importantes, como as unidades hospitalares do Grupo Leforte. E há ainda grupos de investimento, como o Grupo Pátria no Espírito Santo, que estão comprando não apenas hospitais e laboratórios, mas também planos de Saúde, entre outros tantos e importantes exemplos dos novos modelos de gestão em Saúde.
“Todo esse movimento de fusões e aquisições revela uma grande tendência do setor: a Saúde privada será cada vez mais verticalizada nas mãos de grandes grupos, que vão criar suas próprias redes de atendimento ou, então, serão grandes grupos hospitalares que prestarão serviços a grandes operadoras de Saúde”, garante Valmir Oliveira Júnior, diretor comercial de produtos da MV, que também vislumbra que grandes redes hospitalares passem a criar seus próprios planos de Saúde.
Mas como todos esses novos modelos podem se tornar mais colaborativos e centrados em modelos de prevenção e promoção à Saúde se, até hoje, todo o mercado cuida apenas da doença, gerando um alto custo a beneficiários e empresas? A resposta está na desospitalização, um movimento no qual as operadoras de Saúde passam a investir mais em medicina preventiva e atenção primária da Saúde para equilibrar o custo da assistência e promover mais segurança ao paciente. “Essa medida traz o conceito da Saúde pública para a iniciativa privada, com um médico de referência coordenando o cuidado à Saúde do paciente e indicando quais são as especialidades médicas que precisam ser consultadas e quando”, descreve Oliveira Júnior
Com isso, o beneficiário perde a liberdade de ligar diretamente para o cardiologista e agendar ele próprio uma consulta, mas o ganho é um acompanhamento médico muito mais próximo com um profissional de Saúde que o conhece bem e consegue identificar potenciais riscos à sua saúde. E, quando isso acontece, o coloca imediatamente em programas de cuidado dirigidos. “Nos chamados de programa de Saúde, no qual o cliente começa a ser monitorado para que não haja um agravamento do seu quadro clínico e ele precise ser internado em um hospital. Assim, a prevenção além de ser mais barata para o sistema como um todo, é mais eficaz e segura ao beneficiário”, reforça o especialista da MV. Só que para tudo isso funcionar é preciso investir em tecnologia.
Luís Márcio Ramos, CEO do Hospital Anchieta (DF), concorda com essa visão e reforça que “o potencial da informação, se bem aplicada, organizada e transformada em inteligência, pode qualificar muito os resultados para o desenvolvimento de modelos preditivos – inclusive criando alertas se algo vai mal.” E mesmo quando houver necessidade de internação, em atendimentos de urgência e dos pronto-socorros, “cada vez mais os clientes chegarão aos hospitais com o check-in já feito e talvez com uma triagem já realizada”, garante Ramos no episódio 4 do podcast Bastidores da Saúde, com o tema “Da reação à prevenção, o papel da gestão em Saúde eficiente”, que você ouve aqui.