O ano de 2014 se insere em um período de grandes discussões sobre o sistema de saúde não só no Brasil, mas no mundo. A insustentabilidade do setor fica evidente, assim como os aspectos organizacionais geradores deste cenário. Entre eles, a cultura “hospitalocêntrica”, no qual o paciente recorre ao hospital ao sentir qualquer desconforto.Enquanto o sistema ainda centraliza a assistência no hospital, preserva o foco na doença, carece de consciência da população sobre como preservar sua saúde e presencia interesses particulares sobrepondo-se ao coletivo, despontam iniciativas alternativas, que nascem sob um novo conceito. É o caso das unidades de cuidado intermediário, que oferecem assistência quando o paciente já não precisa ficar internado em um hospital e nem é caso de home care.

Em geral, esses pacientes apresentam um quadro estável, necessitando apenas de um cuidado extensivo para sua recuperação ou adaptação a sequelas decorrentes de processos clínico, cirúrgico ou traumatológico. Estima-se que até 25% dos leitos hospitalares privados no Brasil estão ocupados por internações de longa permanência – alvo desses serviços intermediários.

De acordo com Luiz Fernando Froimtchuk, CEO da rede de hospitais Placi, idealizada sob essa perspectiva, o modelo é adequando ao novo perfil epidemiológico em que predominam as doenças crônico-degenerativas, em uma população mais fragilizada pela idade avançada. “O modelo hospitalocêntrico tradicional não está preparado para recuperar o paciente, o que prevalece é a alta complexidade. Os profissionais de saúde dos hospitais foram treinados para tratar doenças e os idosos necessitam de um prazo maior para se recuperar, com técnicas de cuidados especializados”, explicou Froimtchuk, que tem planos de expansão ambiciosos no mercado brasileiro.

“Os pacientes costumam chegar para nós muito maltratados, cheio de escaras. Alguns sem falar, sem andar. Queremos recuperá-los para que eles voltem para casa”, contou ele.

Com um aporte estimado em R$ 150 milhões do BBI Financial, gestora de recursos em Saúde, a Placi pretende inaugurar, ainda este ano, duas  unidades em São Paulo, e outras duas no Rio de Janeiro, chegando ao total de 100 novos leitos. Em três anos, os planos são de chegar a 600 leitos, com unidades também em Brasília. Atualmente estão em operação uma em Niterói (RJ) e outra na capital fluminense.