Veja a seguir alguns itens que podem agregar valor ao trabalho de gestão assistencial.

1 ? Criação de um banco de dados com informações assistenciais: entendendo que informação assistencial compreende todas aquelas que direta ou indiretamente possam gerar contribuição na tomada de decisões gerenciais e no planejamento estratégico da organização. Um banco de dados bem constituído acima de tudo mostra o perfil da organização e sua evolução com o tempo.

A análise pura e simples do dado pode não agregar valor, portanto em algumas situações há a necessidade de geração de um indicador para uma melhor compreensão do processo. Por exemplo, se meu hospital apresenta tantos eventos definidos como infecção hospitalar, o dado se completa quando calculamos a taxa de infecção hospitalar, que é um indicador que mostra a real situação perante uma média considerada adequada por alguma entidade (Ministério da Saúde, por exemplo). Se esse mesmo indicador puder ser comparado com outras organizações, o gestor pode se situar no cenário local ou regional, e a depender de sua posição na comparação, adotar as medidas que julgar mais adequadas. É o que modernamente chamamos de ?benchmark? (quem tiver interesse adicional no assunto pode consultar o excelente texto de Schout e Novaes: Do registro ao indicador: gestão da produção da informação assistencial nos hospitais. Cienc Saúde Col. 2007;12(4):935-44).

2 ? Política de concessão de privilégios: como toda organização, o hospital em nada perde adotando critérios para a concessão de privilégios para qualquer um que alcance determinados critérios de qualidade e excelência, a serem definidos pelos gestores. Na prática médica, existe uma infinidade de critérios que podem ser listados, todos relacionados a boas práticas no acompanhamento de pacientes, que são facilmente mensuráveis, tais como assiduidade, adequação aos horários preconizados para a prescrição de pacientes internados, conteúdo das evoluções, prontidão para o preenchimento de relatórios e justificativas, dentre outras.

Os benefícios podem ser também variados, indo desde acesso preferencial ao estacionamento (onde normalmente as vagas são disputadas) até o custeio de um curso de pós-graduação (dentre outros). Da mesma forma que são concedidos, podem também ser retirados, mas para o bom andamento do processo é necessário desenvolver metodologia de rastreamento eficaz, às vezes recorrendo ao trabalho da Comissão de Revisão de Prontuário, por exemplo .

3 ? Adoção de Diretrizes e Protocolos Assistenciais: muito se tem comentado a esse respeito, e muito se fala sobre a utilização de Diretrizes e Protocolos Clínicos como sinônimos de boa gestão clínica. Não são. São apenas componentes a mais dentre muitas ações. Organizações têm gasto quantidades enormes de recursos contratando consultorias externas ou criando comissões internas para desenvolver esses documentos, sem um correspondente na melhoria dos processos ou da percepção da qualidade, e por motivos bem singelos: