Tenho estado mais próximo do universo hospitalar pediátrico, agora como pai. No mínimo, mais atento ao que posso encontrar, em caso de necessidade.

Nesse contexto, tomei conhecimento de um programa de medicina hospitalista (MH) que, embora ainda bastante incipiente do ponto de vista evolucionário, mostra-se promissor por estar inserido em um hospital de padrão incomum. A maioria dos profissionais mantém atividade também em consultório e, como grupo, forma uma espécie de coletivo dividido entre esses dois mundos — onde possuem inclusive consultórios juntos. No hospital, há sempre, durante o dia, um médico por turno disponível à enfermaria — e a escala costuma se ajustar a qualquer compromisso externo previamente assumido por eles.

Fico me perguntando: será que nunca pararam para pensar que poderiam se organizar diferente? Uma forma que evitasse tamanha fragmentação no hospital e, ao mesmo tempo, ajudasse a estruturar melhor o contexto ambulatorial e até mesmo a vida além da carreira?

Maior fragmentação no hospital, não custa lembrar, é sinônimo de:

  • Aumento do risco de eventos adversos relacionados ao cuidado;
  • Redundância de exames e condutas, por falta de conhecimento acumulado sobre o caso;
  • Ausência de uma narrativa clínica coerente, com decisões reavaliadas ou revertidas sem compreensão clara do raciocínio anterior;
  • Despersonalização do cuidado, afetando a confiança do paciente e da família;
  • Diluição da responsabilidade clínica: a cultura do “eu só estou cobrindo” leva à omissão em decisões críticas ou à hesitação diante de incertezas.

Nos Estados Unidos, para minimizar fragmentação e suas consequências, é comum que hospitalistas se organizem em blocos do tipo 7in/7off ou 14/14. Quando os profissionais atuam aqui sob regime CLT, modelos semelhantes enfrentam até mesmo restrições constitucionais. Já como PJ, persiste o receio — fruto da instabilidade jurídica — de que a justiça venha a reconhecer vínculo empregatício, aplicando cálculos retroativos como se celetistas fossem.

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