O avanço dos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 (Peptídeo Semelhante ao Glucagon-1) e as novas indicações para cirurgias metabólicas prometem transformar profundamente as estratégias de gestão, a sustentabilidade financeira e a assistência na saúde suplementar no Brasil.
Esse cenário de mudanças será um dos temas centrais do Healthcare Innovation Show 2026 (HIS), que ocorre nos dias 16 e 17 de setembro, no São Paulo Expo, na capital paulista.
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Um debate urgente e necessário
A relevância do tema é reforçada pelos números alarmantes da saúde pública no Brasil. Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que 62,6% da população adulta brasileira está acima do peso, enquanto a taxa de obesidade já atinge 24,3%. O crescimento de 118% nos índices de obesidade nas últimas duas décadas exige respostas estruturadas e integradas, tanto do sistema público quanto das operadoras de saúde suplementar.
A partir desse panorama, o HIS 2026 trará uma programação robusta para discutir os impactos dessas transformações. Um dos destaques será o debate no Palco Acesso e Escala, no dia 16 de setembro, às 11h45, com o painel “Da patente à prevenção: os efeitos econômicos dos GLP-1 sobre hospitais, operadoras e indústria”.
A discussão ocorrerá no formato Oxford Style, um modelo dinâmico e interativo inspirado nos tradicionais debates da Universidade de Oxford, onde painelistas defendem teses opostas sobre um grande tema do mercado, com participação ativa do público por meio de enquetes em tempo real.
Entre os participantes, estará Ricardo Cohen, diretor do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que traz uma visão crítica sobre os desafios econômicos e clínicos do setor.
“Analisar apenas o custo da medicação sem olhar o desfecho longitudinal é um erro estratégico da saúde suplementar. O uso contínuo e sem adesão adequada de tratamentos farmacológicos por anos pode custar mais do que uma intervenção cirúrgica definitiva. A sustentabilidade financeira virá da escolha correta do tratamento para o perfil correto de paciente”, destaca Cohen.
Mudanças no perfil de demanda clínica e impactos no sistema de saúde
O impacto dos medicamentos GLP-1 já é perceptível nas estatísticas do setor. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), houve uma redução de 18% no volume de cirurgias metabólicas entre 2023 e 2024, reflexo do aumento na adesão a tratamentos farmacológicos e atendimentos ambulatoriais. Essa mudança no perfil de demanda exige que o setor de saúde se adapte rapidamente para evitar sobreposição de custos e desperdícios financeiros.
A precisão no diagnóstico e o suporte multidisciplinar são apontados como pilares para a eficácia financeira e assistencial. “O abandono precoce do tratamento sem o devido suporte multidisciplinar provoca a perda de massa magra e o efeito sanfona. Essa descontinuação agrava o quadro do paciente e eleva os custos do sistema de saúde com o reaparecimento de complicações graves”, alerta Cohen.
Para Juliana Vicente, diretora do portfólio de saúde da Informa Markets, organizadora do evento, o evento é uma resposta direta às necessidades do setor.
“O HIS 2026 propõe uma análise profunda das transformações humanas, clínicas e regulatórias do setor. Ao abordar o impacto dos medicamentos GLP-1 em nossa programação, convidamos as lideranças a avaliar essas inovações e alinhar seus modelos de gestão para as novas necessidades do setor”, avalia Juliana.
Com mais de 50 horas de conteúdo distribuídas em palcos temáticos, o HIS 2026 reunirá executivos de hospitais, operadoras de saúde, indústria farmacêutica e startups. O objetivo é apresentar diretrizes práticas para a incorporação de tecnologias e a gestão responsável de doenças crônicas, promovendo um ecossistema de saúde mais eficiente e sustentável no Brasil. Garanta já o seu ingresso de congressista!