Um dos chavões mais repetidos sobre a revolução digital é o de que ela nos colocou em meio a uma “época de mudanças”. Trata-se na verdade de algo muito mais intrigante: estamos atravessando uma importante “mudança de época”.
Mudanças de época são diferentes por definição. Elas sacolejam a realidade. Elas desarrumam os lugares que as instituições ocupam em nossas mentes. São períodos profundamente libertadores.
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Momentos assim não ocorrem do dia para a noite. Eles vão se consolidando através de mudanças lentas e silenciosas em nosso comportamento. Os efeitos desses períodos se alastram através da vida social, política, econômica e cultural. Em geral, acontecem em conjunto com importantes mudanças na tecnologia.
Peguemos como exemplo a mudança de época que aconteceu no final do século 19. Ela se ergueu sobre uma série de inovações que tiveram por base a criação de tecnologias novas, como a máquina a vapor. Dentre seus efeitos estiveram a urbanização, a massificação do ensino, a popularização da imprensa, a universalização do voto etc.
Muitos daqueles efeitos permanecem até hoje entre nós. Alguns estão dando seus sinais de esgotamento devido à revolução digital que vem pautando nossa mudança de época.
Graças a essa nova revolução assistimos movimentos políticos nascendo em redes sociais, conflitos de interesse violentos em setores regulados, como nos casos da mobilidade urbana (leia-se Uber) e telefonia móvel (leia-se Whatsapp), além da incorporação rápida a nossa rotina do acesso instantâneo entre pessoas, informações, produtos e serviços.
No universo da Saúde, essa mesma revolução digital tem atraído o interesse do grande público nos últimos anos. Temos lido cada vez mais sobre big data, mhealth, social health, wearable devices, 3D printing, internet of things etc.
Raramente, porém, paramos para pensar que, mais do que uma panaceia tecnológica, o que vem se desenhando no horizonte é o rascunho do que virá a ser o nosso comportamento futuro, em relação aos nossos auto cuidados.
Obviamente não é possível detalhar hoje quais serão essas mudanças de comportamento. Mas já podemos afirmar algumas coisas sobre elas.
A primeira dessas mudanças se resume a uma busca crescente pela hipereficiência em questões de saúde. Ela diz respeito a forma como a tecnologia deverá tornar as decisões de saúde mais seguras e assertivas.
Isso já vem acontecendo em outras esferas de nossa vida, por exemplo, no momento em que temos que decidir sobre um trajeto enquanto guiamos. Em breve teremos um controle sobre a precisão de nossa saúde tal qual aquela que exigimos quando perguntamos para o Waze a distância que nos separa de um destino.