Sou cada vez mais convicto de que somente uma mudança de postura de todos os envolvidos em fazer Saúde (inclusive dos médicos!) poderá melhorar a situação enfrentada no Brasil. Devemos buscar motivação e conhecimento para ajudar o sistema e beneficiar seus mais diversos integrantes, negociando para que sucesso respingue nos médicos que forem protagonistas, na forma de recompensas.

É verdade que estamos entre os mais prejudicados por este sistema como está, mas será que somente reivindicar direitos está efetivamente ajudando a categoria? O que parece uma ideia que nos consumiria mais tempo e energia, sem muita perspectiva concreta de ganho imediato, talvez seja a única saída, pelo menos até mudanças mais amplas e profundas em nossos modelos de remuneração.

Nos EUA, onde não há sindicato médico como estamos acostumados, a Medicina Hospitalar tem gerado mercado de trabalho interessante para médicos generalistas, com incrementos anuais de remuneração e boa relação entre ganho financeiro e qualidade de vida. Veja alguns outros resultados proporcionados pela MH, e que traduzem uma relação de alinhamento entre interesses que, em nosso meio, estão cada vez mais dissociados:

Na edição de setembro do The Hospitalist, cobriram iniciativa do Mount Sinai Medical Center, de Nova York, onde, ao organizarem uma equipe multidisciplinar, liderada por geriatra-hospitalista, com vistas à atenção hospitalar diferenciada de idosos, foram capazes de reduzir o tempo de internação em 1,6 dias e os custos por paciente em, aproximadamente, $5,000. Saiba mais.

Já na edição de outubro, ilustraram, através de experiência multidisciplinar de pessoal do Wayne Memorial Hospital, liderada por hospitalistas, em um pequeno hospital de área rural, ou do case da Johns Hopkins Bayview Medical Center’s Hospital Medicine Division, como o gerenciamento agressivo de leitos pode ajudar. Se construir novos leitos é muito caro, “criar” leitos da forma apresentada pode até gerar receitas, sem as despesas com espaço, infraestrutura e tecnologia. Outra grande vantagem do gerenciamento agressivo de leitos, e que teria enorme impacto em nosso meio, seria reduzir o número de pacientes “estacionados” nas salas de emergência. Conheça mais.

No Rio Grande do Sul, não se escuta outra sugestão das entidades médicas para a crise das emergências além da abertura de novos leitos ou construção de novos hospitais. O Institute for Healthcare Optimization, nos EUA, recentemente publicou: