Filosofia de gestão inspirada nas práticas e resultados do modelo Toyota, o sistema lean é atualmente adotado com grande sucesso por empresas de praticamente todos os setores, inclusive na área saúde. Os casos mais avançados encontram-se nos EUA, no Reino Unido e na Austrália. No Brasil, já existem casos consolidados, mas ainda restritos a determinados centros de excelência. O assunto ainda é novidade para a maioria dos profissionais da área e o interesse parece ser crescente.

Em essência, o objetivo da aplicação dessa filosofia na gestão hospitalar é o mesmo que já se conseguiu na manufatura e em outros setores: a busca contínua pela eliminação de atividades desnecessárias, os desperdícios, que só elevam custos, deixam o negócio menos competitivo e prejudicam a qualidade.

Principalmente no Brasil, trata-se de uma ideia das mais necessárias, pois sabemos o quão carente é nossa estrutura de saúde pública ou mesmo complementar, onde não é difícil encontrar custos impraticáveis e qualidade inadequada.

Essa mentalidade ?enxuta? parece ser uma necessidade para a maior parte dos hospitais brasileiros, que ainda possuem premissas de gestão ?tradicionais?, e onde se encontra enorme potencial para a eliminação de diversas formas de desperdícios ? para deixar de fazer o que é irrelevante, liberando capacidade para aprimorar aquilo que realmente interessa: a segurança do paciente e a qualidade do cuidado.

Para implementar o sistema lean na área da saúde, o primeiro passo é ?aprender a enxergar?. Em outras palavras, saber visualizar as atividades e etapas que não criam valor para o paciente e que, portanto, poderiam ser caracterizadas como desperdício. Assim, é fundamental conseguir distinguir as etapas que criam valor daquelas que não criam (e devem ser eliminadas), dentro das rotinas de um hospital.

Para tanto, é preciso ir às origens do sistema lean. No livro ?O Sistema Toyota de Produção? (1997), Taiichi Ohno, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do modelo de gestão da montadora japonesa, categorizou os principais desperdícios que podem ser encontrados num processo produtivo. São eles: retrabalho, espera, movimentação, transporte, estoque, excesso de processamento e desconexão. Podemos considerar ainda um oitavo, o desperdício de conhecimento e talento humano. Cada um desses desperdícios pode ser encontrado em abundância também na área da saúde.