Quando comprei meu primeiro apartamento fui eleito síndico do condomínio, administrando não só os gastos do prédio, mas também os funcionários de portaria, os quais não eram terceirizados.
Durante uma transição de zeladores, os conselheiros e eu identificamos um porteiro com uma capacidade de trabalho e comprometimento acima do comum. Mesmo sem receber nenhuma promessa de promoção ou gratificação extra, ele sempre atendia prontamente nossos pedidos, executando tarefas administrativas antes desempenhadas pelo seu antigo chefe, com desenvoltura e de maneira proativa.
Como a contratação de um novo zelador não era um processo rápido passamos a considerar a possibilidade de efetivar o rapaz no cargo, mesmo sem experiência anterior na função.
Isto até identificarmos que o dinheiro em espécie disponível para aquisições gerais do prédio estava desaparecendo.
Ao descobrirmos que o autor dos furtos era o referido porteiro providenciamos imediatamente seu desligamento. Na reunião de condomínio seguinte fomos questionados pelos moradores sobre os motivos da demissão, posto que eles também estavam satisfeitos com o seu desempenho.
Foi com pesar que chegamos à conclusão de que ele era perfeito para o cargo, tendo um único defeito: roubar.