De tempos em tempos pululam notícias na imprensa sobre casos de eutanásia na Bélgica e na Holanda, países que legalizaram a eutanásia há muitos anos. Estas notícias reavivam os debates sobre a necessidade da legalização desta prática no Brasil.
De um lado, os defensores da eutanásia sustentam argumentos jurídicos acerca da autonomia individual e da dignidade humana, afirmando que o indivíduo deve ter o direito de morrer quando estiver passando por sofrimento físico ou mental e que os profissionais de saúde devem ajudar.
De outro, os contrários à eutanásia se baseiam em diferentes razões: religiosos afirmam que a vida é um presente divino e que não cabe ao indivíduo tirá-la. Juristas afirmam que a vida é um direito indisponível e que, portanto, o indivíduo não pode abrir mão dela. Médicos que trabalham com cuidados paliativos afirmam que a efetividade dos cuidados com os pacientes fora de possibilidade terapêuticas permite que o paciente tenha um fim de vida digno, sem que seja necessário abreviar a vida.
Percebe-se que o tema é polêmico e existem argumentos fortes nos dois lados. Não pretendo aqui levantar bandeiras pró ou contra a eutanásia, mas problematizar os argumentos, afim de levar para você, leitor, visões críticas sobre o tema.
Defender a eutanásia é, em que pese os aspectos éticos e morais, o caminho mais simples: basta entendermos que vivemos a primazia do individual sobre o coletivo, num mundo que protege com virulência, as liberdades individuais. Desta forma, a defesa da eutanásia centra-se na ideia de que o indivíduo deve ser livre para fazer escolhas ilimitadas, inclusive sobre a morte, e cabe ao Estado, aos profissionais de saúde, aos familiares e amigos respeitá-las.
Ser contra a eutanásia é um caminho espinhoso. O argumento religioso pode soar piegas, irracional e moralizante para aqueles que não possuem crença religiosa e para os que defendem que o Estado é laico. O argumento jurídico pode dar a ideia de que o Direito, muitas vezes, impõe barreiras socialmente ultrapassadas e que o Estado não pode limitar a autonomia do indivíduo. O argumento médico pode soar ilusório
pois a verdade é que os cuidados paliativos (ramo da medicina que visa
proporcionar ao doente conforto para que a morte chegue no tempo certo, sem sofrimento) ainda estão engatinhando no Brasil, com raras exceções.