As operadoras estão trilhando o caminho do SUS, e fica cada vez mais evidente que o destino será o mesmo: ?falência múltipla dos órgãos?. O incremento de recursos próprios é um caminho obrigatório, que vai fornecer algum oxigênio durante algum tempo, mas agonizar como o SUS é questão de tempo.

Vamos nos lembrar do que aconteceu com o SUS:

  • Quando foi implantado não existia oferta de serviços públicos e privados para que pudesse cumprir sua missão, então começou a financiar entidades filantrópicas e expandiu sua rede própria;
  • Sentindo-se ineficiente para gerir sua própria rede começou a terceirizar a gestão com parcerias público-privadas (OSs) e em pouco tempo verificou que a forma de gestão não era o problema central;
  • Agora alguns profetas pregam que o vilão é a forma de remuneração, e defendem a ?contratualização? como a solução. Parecem as ?Organizações Tabajara? dizendo ?seus problemas estão resolvidos?. O SUS agoniza porque boa parte do pouco recurso destinado à saúde é desviado pela corrupção, ?custo Brasil? e ineficiência operacional ? nenhuma das grandes ações citadas acima foi de encontro ao problema, então ele só faz agravar ao longo do tempo.

Então vamos discutir a Saúde Suplementar. É público e notório que:

  • As operadoras se mantinham saudáveis enquanto a população era mais jovem, menor, e utilizava pouco os serviços de saúde. O envelhecimento da população vai gradativamente ?minando? este modelo de negócios, e a falta de recursos é cada vez maior;
  • Enquanto as operadoras lucram quanto menos o associado utilizar a rede, o hospital lucra quanto mais ?estropiado? estiver o paciente: idoso, descompensado, diabético, cardiopata, psicopata … tudo que a operadora reza para não cair na sua carteira;
  • A rede de serviços existente não é suficiente para acolher os usuários de planos de saúde ? em muito pouco tempo passamos de cerca de 30 milhões para 60 milhões;

Operadora não sabe gerir hospitais e vice-versa.

Finalmente vamos comparar os dois sistemas e concluir:

  • O primeiro movimento agonizante das operadoras está sendo expandir sua rede própria para depender o mínimo possível da rede credenciada, como fez o SUS. A operadora não tem alternativa porque a ANS está pressionando os prazos de atendimento, e o sistema de remuneração pressiona com falta de recursos;
  • Mas já estamos verificando o segundo movimento: terceirização da gestão dos hospitais da rede própria (como fez o SUS) ? afinal de contas operadora não é especializada nisso, porque como vimos seu modelo de negócios tem objetivos totalmente diferentes dos hospitais;
  • O terceiro movimento da agonia será a constatação de que a gestão profissionalizada dos hospitais da rede própria, além de não resolver o problema central, ainda vai gerar efeitos colaterais: hospital é um organismo vivo, e não consegue se manter engessado ? vai criar mecanismos próprios que irão contra os objetivos primários da operadora, como por exemplo aumentar sua oferta de produção para terceiros para poder se manter financeiramente.

O cenário já está muito bem estabelecido.