Estramos assistindo agoniados os acontecimentos na Santa Casa de São Paulo, cujo cenário é complexo e extremamente delicado.

Nenhuma ação individual vai salvar a população – para mim não é questão de salvar a Santa Casa e sim a população – porque quem necessita ser salvo não é a Santa Casa, o Governo Federal, o Governo Estadual, ou qualquer outra instituição … é a população, porque em um sistema de saúde público absolutamente caótico como o nosso, antes do óbito de uma Santa Casa haverá um milhão de óbitos de pessoas que só têm ela para recorrer.

São diversas as causas das dificuldades da Santa Casa, mas eu gostaria de explorar um que é tão importante quanto qualquer outra que tenho visto ser citada em artigos: o planejamento e a gestão comercial.

Quando escrevo isso tenho certeza que boa parte dos que militam na Saúde Pública, incluindo Santa Casa, ou não entendem o que digo, ou acham heresia: “esse cara só pensa em dinheiro, e a Santa Casa é muito maior que isso”. Mas gostaria de defender meu ponto de vista.

Santa Casa é o único tipo de instituição no sistema de saúde que ainda é benemerente. Todas as instituições que eu conheci e eram benemerentes ou não são mais, ou praticam um nível de benemerência irrisório em relação ao que significavam para a sociedade antes.

Hospitais da administração pública direta e indireta não são benemerentes – são instituições políticas que prestam assistência de acordo com a definição do governante a que se subordina e, principalmente, sem coordenação real. No discurso são equipamentos integrados em um sistema, mas na prática são órgãos que fragmentam a assistência e atuam de forma individualizada na região em que se situam, por isso são ineficazes – até eficientes, mas ineficazes !