A transformação digital no Sistema Único de Saúde (SUS) está revolucionando o cuidado ao paciente, impulsionada por iniciativas inovadoras e pela integração de tecnologias avançadas. Durante um painel na Hospitalar 2026, realizado na Arena Plaza Hospitalar, Giovanni Guido Cerri, médico e presidente do conselho do Instituto de Radiologia (InRad) e do Núcleo de Inovação Tecnológica do HCFMUSP (InovaHC), e Marco Bego, Diretor Executivo do Instituto de Radiologia do HCFMUSP e do InovaHC, discutiram os avanços e desafios dessa transformação, destacando o papel da inovação tecnológica na melhoria dos serviços de saúde.
Os especialistas destacaram ferramentas essenciais para o processo de digitalização do Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de aprimorar a jornada do paciente, tornando o sistema mais eficiente, seguro e acessível. Entre as principais inovações mencionadas estão:
- Inteligência Artificial (IA): Utilizada para análise de dados, diagnóstico precoce e personalização do atendimento.
- Interoperabilidade de Sistemas: Facilita a integração entre diferentes plataformas e instituições, garantindo acesso rápido e seguro às informações de saúde.
- Telemedicina e Telesaúde: Expande o alcance do atendimento médico, especialmente em regiões remotas, promovendo maior acessibilidade.
- Medicina de Precisão: Permite tratamentos mais personalizados e eficazes, baseados em dados genéticos e históricos clínicos.
- Dispositivos Médicos Conectados: Monitoram a saúde do paciente em tempo real, proporcionando maior controle e acompanhamento contínuo.
Os especialistas explicam que essas tecnologias estão transformando a forma como o cuidado ao paciente é realizado, promovendo um sistema de saúde mais moderno e centrado nas necessidades individuais.
Inova HC: Um Ecossistema de Inovação
Nesse processo, o Inova HC – Núcleo de Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas da FMUSP – tem se destacado como um hub de inovação, conectando governo, investidores e indústria para desenvolver soluções adaptadas à realidade brasileira. A iniciativa busca estimular a cultura de inovação, capacitar profissionais e replicar modelos bem-sucedidos em outros países da América Latina.
Cerri enfatizou que o objetivo não é importar soluções prontas, mas desenvolver tecnologias que atendam às necessidades específicas do SUS. “Queremos o Brasil como um país inovador, com soluções adequadas à nossa realidade”, afirmou.
Expansão e Capilaridade das Inovações
Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta gargalos tecnológicos, como a falta de infraestrutura e conectividade. Bego apontou que problemas estruturais precisam ser resolvidos para que a transformação digital alcance todo o potencial. Projetos como o uso de tecnologias em presídios e a mensuração de impacto são exemplos de como essas barreiras podem ser superadas.
A capilaridade é um dos desafios para democratizar o acesso às tecnologias e melhorar o atendimento em todo o país. Ele ainda destacou a importância de garantir que as inovações não fiquem restritas aos grandes centros urbanos. “É natural que grandes centros testem e implementem tecnologias, mas é essencial que elas sejam repassadas e expandidas para outras regiões”, disse o diretor do Inova.
A medicina está avançando para um modelo mais preditivo e personalizado, onde a integração de dados desempenha um papel central. Segundo Cerri, o futuro da saúde envolve utilizar informações detalhadas sobre estilo de vida, genética e exames de cada paciente para oferecer tratamentos personalizados. Ele também destacou os avanços na radiologia, como a radionômica, uma tecnologia inovadora capaz de identificar características invisíveis ao olho humano, tornando os diagnósticos mais precisos e eficazes.
Empreendedorismo na Saúde Pública e Privada
O debate também abordou as diferenças entre empreender no setor público e privado. Embora ambos sejam desafiadores, o SUS apresenta um volume maior de demandas e depende de estratégias específicas para aplicar soluções em larga escala. Cerri reforçou que o empreendedorismo na saúde exige resiliência e conhecimento dos mecanismos de aplicação em cada setor.
A transformação digital no SUS não é apenas uma mudança tecnológica, mas uma revolução na forma como a saúde é pensada e entregue. “Com iniciativas como o Inova HC e o uso de inteligência artificial, telemedicina e interoperabilidade, o Brasil está construindo um sistema de saúde mais eficiente, acessível e centrado no paciente, com potencial para se tornar referência em inovação na América Latina”, conclui o executivo.