O futuro da gestão da saúde será baseado em eficiência, redução de custos e assistência de qualidade. Diante desses desafios o modelo Value-Based Healthcare (Saúde Baseada em Valor) surge como uma resposta estratégica. No entanto, apesar de seu potencial transformador, o sistema ainda caminha a passos lentos no Brasil, enfrentando barreiras estruturais e culturais que dificultam sua ampla adoção.

A predominância do modelo fee-for-service (pagamento por serviço prestado) é uma realidade no país e incentiva o aumento do volume de procedimentos, em vez de priorizar a qualidade do cuidado.

Entre os entraves do sistema VBHC está a integração e alinhamento estratégico entre hospitais e operadoras de saúde. Segundo Camila Sandemberg , diretora técnica de Saúde e Assistência da Rede Santa Catarina , é fundamental que haja uma abertura e engajamento de todas as partes envolvidas no sistema de saúde.

 “Atualmente, os hospitais estão mais preparados para essa transformação, pois fazem parte diretamente do setor e compreendem a importância de modelos baseados em valor. No entanto, muitas vezes, o outro lado da negociação – as operadoras de saúde e as fontes pagadoras – não demonstra a mesma disposição para avançar nesse sentido”, afirma.

Ela explica que uma das dificuldades está relacionada à alta rotatividade dos beneficiários, especialmente em planos empresariais. “As pessoas frequentemente migram de um plano para outro em curtos períodos, o que dificulta a construção de uma relação de longo prazo entre o paciente e a operadora de saúde. Essa falta de continuidade compromete a implementação de estratégias que priorizem o cuidado baseado em valor, já que os benefícios desse modelo são mais perceptíveis ao longo do tempo”.

Na opinião de Cesar Abicalaffe, presidente do Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (Ibravs) o conceito de valor, propriamente dito, ainda gera divergências e é um dos pontos a serem trabalhados. Ele explica: “Se analisarmos pela perspectiva de uma operadora, gerar valor significa alcançar bons desfechos com o menor custo possível. No entanto, quando a análise é feita sob a ótica de um hospital, a proposta de geração de valor é diferente, pois, nesse caso, o foco está em entregar o melhor desfecho para o paciente, com a melhor margem. Muitas vezes, esses dois conceitos acabam sendo difíceis de alinhar.”