Menos volume, mais resultados. Esse é o princípio que sustenta a saúde baseada em valor (Value-Based Health Care – VBHC), conceito desenvolvido por Michael Porter e Elizabeth Teisberg em meados dos anos 2000.

O modelo propõe que a eficiência de um sistema de saúde não seja medida pela quantidade de procedimentos, mas pelos desfechos que realmente importam para o paciente, em relação aos custos. A meta é clara: melhorar qualidade de vida, reduzir complicações e tornar o cuidado sustentável através da entrega de valor ao paciente. 

A teoria é simples, mas sua implementação impõe mudanças profundas. É preciso alinhar incentivos, superar a fragmentação e adotar indicadores que expressem valor — um desafio que, para os países latino-americanos, envolve barreiras culturais, regulatórias e estruturais.

Acesso não basta: qualidade é o novo parâmetro 

No Brasil, a discussão já começou a mudar de tom. Para Carla Soares, diretora-presidente interina da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a lógica centrada apenas em garantir acesso está esgotada. 

“Já conseguimos caminhar teimosamente para que, numa mudança de cultura, se perceba que não basta ampliar o acesso. Acesso com qualidade representa valor em saúde”, afirma Carla na abertura do 2º Congresso Latino-Americano de Valor em Saúde (CLAVS), promovido pelo Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (Ibravs)

A diretora-presidente interina defende que as operadoras assumam um papel mais ativo na gestão do cuidado e que o paciente seja orientado ao longo da jornada. “A grande maioria já percebe que não é mera intermediária financeira, mas gestora de cuidados. Sozinho, o cidadão não detém conhecimento para a melhor tomada de decisão. É preciso permitir-se ser orientado”, pontua.